Entidades fazem segundo protesto contra tarifa de ônibus
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local
Londrina A segunda manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina transcorreu de forma pacífica, registrando alguns pequenos conflitos no final. O primeiro ato, realizado na semana passada, apesar de ter começado da mesma maneira, terminou em depredação de ônibus e vandalismo. Segundo os organizadores, os responsáveis não eram integrantes das entidades participantes e o episódio teria ocorrido após o término no manifesto.
O protesto teve início na tarde de ontem, após cerca de 150 pessoas, a maioria jovens, concentrarem-se em frente ao Teatro Ouro Verde, no Calçadão. Munidos de faixas incluindo lembranças à morte de Anderson Amaurílio da Silva em um protesto em 2003 -, saíram pelas ruas do centro da cidade em direção ao Terminal Urbano batendo latas, panfletando textos contra o aumento da tarifa e cantando pedidos de revogação do valor da passagem.
No trajeto, muitos apoiavam o grupo, ainda que não participassem. "Se continuarem assim, de forma séria, eu sou a favor do protesto. O ônibus subiu muito e tudo isso vem descontado no meu salário", disse a balconista Ana Cristina Bezerra. O segurança de uma lanchonete Luiz Alves de Oliveira também se mostrou favorável ao movimento, dizendo ser abusivo o valor cobrado. "Não dá para concordar da forma como estão as coisas", reclamou. A tarifa subiu de R$ 2,30 para R$ 2,65 no dia 1º de janeiro.
Ao contrário da manifestação anterior, dessa vez agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e agentes da Guarda Municipal estavam a postos no entorno do terminal bem antes do grupo chegar. No trajeto, iam orientando motoristas a mudarem suas rotas para que o movimento continuasse. Nenhuma viatura da Polícia Militar (PM) foi vista durante o percurso.
A grande surpresa, porém, foi na chegada ao terminal, quando um grupo de vigilantes de uma empresa particular fazia uma barreira humana na entrada. "Viemos na paz, é um protesto pacífico", gritava uma das manifestantes. Djalma Antônio dos Santos, chefe da vigilância, respondeu que iriam acompanhar a manifestação. O grupo entrou no terminal, onde, desta vez, não havia ônibus, já que os motoristas foram orientados a mudar os itinerários.
Os passageiros que estavam no local assistiam a tudo sem muita interação, mas não opuseram-se ao protesto. "Quero chegar em casa logo, mas se a manifestação for pacífica, não sou contra. Agora, depredar ônibus não pode. Senão somos nós, usuários, que vamos pagar a conta no final", defendeu a auxiliar financeiro Liliane Patuzzo.
O grupo deixou o local pouco tempo depois, dirigindo-se à Avenida Leste-Oeste, já interditada pela CMTU, onde ficaram concentrados por aproximadamente uma hora. Ali, queimaram a bandeira do Brasil e uma catraca, simbolizando a ação do manifesto.
Entidades
Segundo Murilo Pajolla, representante do Comitê Passe Livre, um das entidades organizadoras do protesto, ainda não houve nenhuma reunião com o prefeito, pois o "foco no momento é a manifestação popular". "Nosso objetivo agora é conscientizar a população do aumento abusivo e feito de forma criminosa. A Prefeitura não possui equipe técnica multidisciplinar, permanente e exclusiva para fiscalizar o transporte coletivo e executar uma planilha de custos", afirmou.
O Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon), por meio da assessoria de imprensa, informou que ainda não calculou os prejuízos resultantes da depredação do primeiro protesto.
João Batista, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), disse que a entidade não iria se posicionar sobre os protestos, mas que em alguns dias deve reunir-se com o prefeito para fechamento de acordo. O prefeito em exercício, Guto Bellusci (PSD), não foi encontrado para comentar o assunto.
Leia também:
- Três são presos após fim do protesto
Veja mais nas imagens de Gustavo Carneiro