Entidades exigem combate à violência sexual
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sexta-feira, 18 de maio de 2001
Chico Araújo Agência Estado De Brasília 
Vestidas de palhaços, com caras pintadas e usando pernas de pau, crianças e adolescentes de Brasília fizeram ontem, na Esplanada dos Ministérios, uma manifestação para exigir do governo medidas enérgicas de combate à violência sexual. O protesto fez parte das atividades do Dia Nacional de Combate à Violência Sexual, comemorado ontem.
Entidades de defesa dos direitos da criança também entregaram ao Ministério da Justiça um documento, no qual cobram medidas emergenciais para impedir práticas sexuais abusivas contra jovens e adolescentes.
O abuso sexual é uma grave violência contra os direitos humanos, disse Reiko Niimi, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef). Para ela, o plano brasileiro de combate ao abuso sexual, lançado em 1997, representa um grande avanço. Niimi anunciou que o Unicef vai apoiar o Brasil nas ações que visam coibir a prática.
Ontem, a secretária de Assistência Social do Ministério da Previdência, Wanda Engel, anunciou que o governo irá intensificar o combate à exploração e ao abuso sexual infanto-juvenil aumentando o número de centros destinados ao atendimento das vítimas. Hoje, o País tem 20 centros em funcionamento e, nos próximos meses, serão inauguradas outros 110. As unidades possuem médicos, psicólogos, enfermeiros e pessoal de apoio para atender crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.
Segundo Engel, o programa vai priorizar ações nas regiões Sul, Sudeste e Norte, onde foram detectadas as maiores incidências de casos de abuso sexual. Áreas de garimpos e de fronteira serão os principais alvos da ação governamental.
Em 1997, o Ministério da Justiça criou o Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, serviço de recebimento de denúncias coordenado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Em quatro anos, o sistema recebeu 9.776 ligações. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800-99-0500. A ligação é gratuita.


