Entidades governamentais e não-governamentais vão reunir-se em Brasília, na terça e quarta-feira, para trocar informações sobre os serviços contra a exploração sexual infantil. Serão discutidas experiências como a de Pernambuco, onde médicos, professores, policiais, governo e entidades não-governamentais trabalham juntos.
Anteontem, no Recife, uma menina de apenas três anos chegou a um hospital público com o períneo rompido (área entre a vagina e o ânus). Ela foi deixada no hospital pela avó. O médico constatou que a menina havia sido estuprada e imediatamente denunciou o caso à Diretoria de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA). ‘‘Descobrimos que o pai foi o autor’’, contou a diretora da DPCA, a delegada Olga Câmara.
A prisão temporária do pai já foi decretada. O próximo passo da DPCA será pedir ao juiz a cassação do pátrio poder da mãe sobre a criança. A delegada informa que a mãe fugiu e está sob suspeita de conivência. Olga Câmara estará em Brasília para contar como, em Pernambuco, se conseguiu montar a rede de proteção à criança e adolescente contra a exploração sexual. ‘‘Conseguimos romper o pacto do silêncio’’, ressalta ela, revelando que 60% dos casos, inicialmente apresentados como sendo apenas violência doméstica, na verdade, escondiam abusos sexuais.

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