Entidades de classe estão
decepcionadas com Lerner
As entidades de classe envolvidas na discussão sobre o reajuste do pedágio estão se sentindo traídas pelo governo do Estado. Na tarde de ontem os representantes desses segmentos demonstraram toda a sua insatisfação e decepção diante do comportamento do governador Jaime Lerner (PFL), no tocante a definição do aumento da tarifa. Como forma de retaliação, o grupo anunciou ontem, conforme a Folha já havia antecipado, que na próxima segunda-feira estará protocolando uma ação judicial pedindo a anulação dos contratos de concessão no Paraná.
Essa frente de combate é integrada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), Associação dos Usuários de Rodovias do Paraná, Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindican), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar).
De caráter ordinário, a ação será enderaçada diretamente ao Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre. Desta vez os usuários não estão questionando o percentual de reajuste da tarifa, mas solicitando a anulação do contrato. Segundo Rui Cichella, presidente do Setcepar, o ação será baseada em análises que denunciam irregularidades e inconstitucionalidades contratuais, que vão desde a cobrança de pedágio em rodovias de pista simples, até os cálculos utilizados para a definição das tarifas.
Os líderes de todos os setores estão preocupados com a reação dos usuários diante do reajuste. Diumar Bueno, do Sindican, explicou que eles não estão organizando nenhuma espécie de paralisação. Disse, no entanto, que não pode prever a reação dos motoristas, uma vez que existe uma revolta generalizada entre o setor. ‘‘Se houver vontade da categoria, a manifestação vai acontecer’’, teme Bueno.
Paulo Muniz, da Associação dos Usuários de Rodovias, lembrou que a entidade está entrando com ações no Procon para denúnciar o prejuízo dos usuários que moram próximos das estações de pedágio. De acordo com Muniz, essa situação é característica principalmente no interior do Estado, onde as praças estão muito próximas das cidades, prejudicando os usuários moradores de determinados municípios.
O secretário dos Transportes, Heinz Herwig, disse ‘‘que ninguém traiu ninguém’’. Entende, que o governo fez o possível para conseguir reduzir ao máximo o aumento e estabelecer uma tarifa que não sacrificasse principalmente o setor de transportes de carga.
As entidades já estão conscientes que não irão conseguir barrar o acordo entre o governo e as concessionárias antes de segunda-feira, data em que deve entrar em vigor o reajuste. O Setcepar ainda alimenta uma esperança sobre um recurso judicial que está em trâmite no TRF. No entanto, a assessoria do tribunal informou ontem que o agravo regimental impetrado pelas entidades ainda não tem data definida para ser julgado.(G.F.)

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