Rio - ''O nosso bloco está na rua. Se tiver que ter conflito armado, que tenha. Se alguém tiver que morrer com isso, que morra'', afirmou ontrem o secretário de Segurança Pública do RJ, coronel Josias Quintal, depois de participar do anúncio da operação Rio Seguro.
O prefeito do Rio, César Maia (PFL), em entrevista à rádio CBN, deu declarações no mesmo tom. Disse que, se estivesse à frente do governo do Estado durante a rebelião do dia 11 de setembro de 2002 na penitenciária Bangu 1 - que durou 23 horas e terminou com a morte de quatro detentos -, teria mandado ''matar quem tivesse que matar.''
''Ali não tinha conversa. Se eu sou governador naquele momento, entra o Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) e mata quem tiver que matar.''
Anistia - O novo presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o advogado Marcello Lavenère Machado, criticou as declarações do prefeito do Rio, César Maia. ''É uma solução estilo rambo'', classificou. Lavenère apelou aos bons segmentos da opinião pública para convencer o prefeito de que esta solução ''violenta e sumária'' não é apropriada nem para combater ''o pior tipo de criminalidade''.
Esther Kosowski, presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que o secretário e o prefeito fizeram apologia ao crime. ''São declarações bombásticas que não resolvem o problema e parecem só querer estar em consonância com a população, que está acuada diante dessa violência. Mas nem o prefeito nem o secretário de Segurança podem lavar as mãos'', disse.