Curitiba- O desabamento de uma das pontes sobre a represa do Capivari na noite de terça-feira despertou a indignação dos políticos e de entidades civis em todo o Estado. Passado o impacto inicial da notícia do desabamento, o questionamento feito por todos é: o acidente poderia ter sido evitado? Em caso afirmativo, quem seria responsável pela obra?
Para o deputado estadual José Domingos Scarpelini (PSB), o Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit) não vinha fazendo as vistorias necessárias na ponte. Scarpelini, que tomou posse como deputado este ano em substituição ao vice-prefeito eleito de Curitiba Luciano Ducci (PSB), afirmou que uma de suas primeiras iniciativas no cargo foi oficiar o Ministério dos Transportes relatando a má-conservação da ponte.
Scarpelini irá se reunir hoje com procuradores do Ministério Público (MP) federal para entregar documentos comprovando que o serviço de escoamento da ponte era de baixa qualidade. Segundo a assessoria do MP, o órgão irá decidir hoje que medidas judiciais podem ser tomadas. Por se tratar de um assunto de interesse público, os procuradores podem agir sem esperar a denúncia do deputado ou de qualquer outra parte.
O diretor nacional do Dnit Alexandre Silveira garantiu ontem que o desabamento não poderia ter sido evitado. Um deslizamento de terra causado por fortes chuvas causou o desmoronamento na cabeceira da ponte, enfraquecendo os pilares de sustentação e causando o desabamento de um trecho de 70 metros da ponte.
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) e o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) iniciaram trabalhos para averiguar a causa do acidente. Para o presidente do IEP, Gilberto Piva, mais importante que as causas do desabamento é a discussão sobre a atuação do governo federal em larga escala.
''Nós vamos avaliar o relatório das inspeções do Dnit para avaliar se já havia um histórico de erosão na ponte ou foi realmente um acidente imprevisível. Porém, o que é importante agora é mobilizar a sociedade para forçar o governo federal a aumentar o investimento na infra-estrutura dos Estados. O governo arrecada bilhões com a Cide (conhecida como imposto do combustível), mas não repassa esse dinheiro. Essa tragédia mostra que tão importante quanto o investimento em novas obras é a manutenção das já existentes'', destacou.(Leia mais sobre a Cide na página 11)

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