Brasília, 17 (AE) -Dirigentes do movimento negro e de cursos pré-vestibulares de Pernambuco, Pará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro cobraram hoje do governo apoio para ampliar o acesso dos negros e pobres às universidades, a manutenção dos espaços ocupados por pré-vestibulares comunitários e a isenção das taxas de matrícula nas universidades públicas. As reivindicações foram apresentadas em encontro no Ministério da Justiça.
No reunião foram relatadas experiências de pré-vestibulares comunitários. São mais de 700 iniciativas deste tipo em vários Estados. Entre elas, está a do Instituto Stive Biko, de Salvador (BA), fundado em 1992 e que já garantiu, até este ano, o ingresso de mais de 150 estudantes nas universidades baianas.
O diretor do Conselho dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Ivair Augusto dos Santos, presidiu a reunião e assumiu o compromisso de lutar por um maior envolvimento das universidades nestes projetos. "No que depender de mim terá o máximo de apoio", disse Santos, que espera em 15 dias atender a maioria das reivindicações dos dirigentes dos pré-vestibulares comunitários.
Reivindicações - Além da manutenção dos cursos comunitários, as entidades querem o apoio do governo para garantir a isenção das taxas de inscrição do vestibular para alunos carentes em todas instituições de ensino superior ,- algumas não cobram - e formas de manter os alunos carentes nas universidades. Os dirigentes sugerem a concessão de bolsas de estudo e de iniciação científica, alimentação e estágios remunerados. Também reivindicam a abertura de linhas de financiamento a fundo perdido que possam garantir os cursos pré-vestibulares, além de empenho do governo para aprovar projetos que estão no Congresso definindo políticas públicas para os negros nas áreas de educação e trabalho.
Os cursos contam com professores voluntários, são realizados em espaços comunitários e não há cobrança de mensalidades. "É para continuar atuando dessa maneira que estamos aqui", lembra Silvio Humberto Costa, um dos fundadores do Instituto Stive Biko. Ele diz que a experiência na Bahia surgiu de necessidade de inserir o negro na comunidade. Costa lembra que em Salvador 80% da população é negra, mas nas universidades eles não representam 3%.
"Nosso trabalho começou porque temos a consciência de que quem tem de fazer algo por nós negros somos nós mesmos", enfatiza Silvio Costa. Ele revela o ingresso de um cobrador de ônibus no curso de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de um feirante no curso de Ciência da Computação. Atualmente, a Stive Biko desenvolve além do curso pré-vestibular
um projeto de cidadania com o apoio do Comunidade Solidária, e aguarda da Fundação Palmares, de Salvador (BA), a liberação de recursos para ministrar um curso de capacitação de educadores.

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