BRASÍLIA - Movimentos de defesa da reforma agrária que participaram ontem de um ato em memória da irmã Dorothy Stang, em Brasília, ameaçaram antecipar para março uma nova edição do ''abril vermelho'', com uma onda de invasões de terra, caso o governo não ofereça soluções para resolver os conflitos fundiários no país. Entidades reunidas no Fórum Nacional de Reforma Agrária, entre elas o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Contag e CPT (Comissão Pastoral da Terra), protocolaram nesta semana pedidos de audiência com representantes ''dos três poderes'' para cobrar mais rapidez nas desapropriações e assentamentos.
Segundo o secretário-executivo do fórum, Gilberto Portes de Oliveira, os grupos se reuniram com o governo em setembro e outubro, mas até agora o Planalto não teria apresentado uma agenda ou uma ''sinalização concreta'' de que está trabalhando para resolver os conflitos sociais no campo.
''Nós aprendemos que com este governo é preciso pressão. Então, os movimentos sociais vão se mobilizar na rua'', disse Oliveira. Segundo ele, as 45 entidades que compõem o fórum fizeram um balanço da situação no campo e está montando uma pré-agenda de ações. ''Quando o agronegócio quer alguma coisa, mobiliza a bancada ruralista e faz pressão. Nós não temos bancada no Congresso, nossa pressão é na rua'', disse.
Oliveira ressaltou que existem pessoas no governo que trabalham pela reforma agrária, mas não têm condições de agir porque a pauta estabelecida é a do crescimento econômico.
As audiências foram solicitadas com o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, o grupo de trabalho interministerial que cuida da reforma agrária, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, e os novos presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros.

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