Belém, 15 (AE) - O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Redenção, no sul do Pará, e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região estão acusando policiais civis e militares de abuso de poder, tortura e crueldade contra 23 trabalhadores rurais, "presos sem mandado judicial", durante ocupação da Fazenda Panorama, em Santa Maria das Barreiras. Nessa fazenda, no mês passado, agentes da Polícia Federal (PF) descobriram o maior laboratório de refino de cocaína já encontrado no País.
De acordo com a denúncia, 15 sem-terra teriam ficado 48 horas presos numa cela de 1,6 x 3 metros, na Delegacia de Redenção "sentados o tempo inteiro no chão e sem poder deitar". O superintendente da Polícia Civil no sul do Pará, Francisco Eli de Souza Oliveira, que lavrou o auto de prisão contra os trabalhadores, é acusado de violação dos direitos humanos. Outros 20 policiais militares também são acusados pelas entidades.
Os policiais teriam espancado, antes de prender, os lavradores José Antônio Costa Cavalcante, Luiz Gonzaga Ribeiro da Silva e José Ribamar Silva Santos. "Foram feitos exames de corpo de delito e constatadas as lesões corporais", afirmam as entidades. O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, mandou investigar a denúncia. Pistoleiros - Em Dom Eliseu, no sudeste paraense, 15 policiais civis e militares entraram hoje na fazenda Suçuarana, onde 53 trabalhadores rurais teriam sido espancados por pistoleiros e ameaçados de morte. As vítimas prestaram depoimento hoje na polícia, que comprovou lesões no tronco, pescoço e cabeça de vários sem-terra.

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