O representante do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Márcio de Jesus Filla, afirma que de dois a três anos para cá houve um aumento expressivo dos crimes cometidos por adolescentes. Ele concorda com a promotora da Vara da Infância e Juventude que a ociosidade dos adolescentes evadidos da escola e que não têm formação profissional são fatores que levam ao envolvimento com traficantes de droga.
Diretor do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), Filla lembra de adolescentes que revelaram ter se envolvido com o tráfico pela necessidade de sustentar a casa. ''Um deles não tinha pai e, para manter a mãe e sete irmãs menores, revelou que foi vender drogas'', contou.
Márcio Filla diz que a maior parte dos infratores alega que precisa trabalhar para se manter, comprar roupas e para até para o lazer. ''Eles dizem que sem trabalho se sujeitam a vender drogas. Mas é o que eles dizem'', comenta. Filla sugere um estudo que comprove essa realidade.
O procurador Benedito Xavier da Silva, que responde interinamente pela Procuradoria Regional do Trabalho da 9 Região, em Curitiba, discorda da promotora. ''Esse argumento de que sem um trabalho o menor vai cair no braço do traficante é inconsistente. A lei está aí para ser cumprida'', afirma. Silva critica: ''Atividades ilícitas (tráfico de drogas, prostituição etc.) não podem ser invocadas para justificar o trabalho da pessoa que não atingiu sequer a maturidade biológica''.

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