A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH) denunciou ontem, que parte dos jurados que comporão o conselho de sentença que vai julgar, a partir do dia 23 de novembro, 155 policiais militares e 4 civis envolvidos no massacre de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, há dois anos, são fazendeiros ou têm laços estreitos com grandes proprietários de terras na região. No dia do julgamento, sete pessoas dentre 21 inscritas no fórum local, são escolhidas para compor o conselho de sentença. Defesa e acusação têm direito de recusar até três pessoas sem justificativa.
Segundo o coordenador da SPDDH em Marabá, Hernandes Margalho, o julgamento está contaminado, porque ‘‘não haverá imparcialidade das pessoas que vão integrar o corpo de jurados’’. Para ele, a sessão do júri deveria ser realizada em Belém, como também deseja o promotor Marco Aurélio Nascimento, que denunciou os acusados à Justiça. O Tribunal de Justiça marcou o julgamento para Marabá.
Margalho disse que pelo menos seis comerciantes que integram a lista de jurados do Tribunal do Júri são também fazendeiros na região. ‘‘Alguns participaram de uma festa de confraternização realizada na porta da delegacia policial onde estava preso o fazendeiro Carlos Antônio Costa, o Carlinhos, acusado de ser o mandante dos assassinatos dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ‘Fusquinha’ e ‘Doutor’’’, comentou.
O promotor de Justiça acrescentou que os matadores dos sem-terra pertencem à Polícia Militar e continuam fazendo a segurança da população pelas ruas de Marabá, inclusive orientando o trânsito. ‘‘Isso é ruim, porque todos os 21 jurados residem na cidade’’.

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