Belém, 05 (AE) - A Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), entidade que congrega os fazendeiros, enviou correspondência aos dirigentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pedindo que a entidade faça um "desagravo às vítimas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que invade propriedades, expulsa seus donos da terra e pratica violências, algumas culminando em morte". De acordo com o presidente da Faepa, Carlos Xavier, a iniciativa da entidade foi motivada pelo "veemente apelo e gestos de solidariedade", feitos em favor dos sem-terra pela CNBB no Dia do Trabalhador Rural.
Xavier acusa o MST de ser hoje um movimento que utiliza métodos de guerrilha para tomar fazendas à força, buscando parcerias com movimentos guerrilheiros. "O que o MST almeja é a tomada do poder", afirma Xavier no documento enviado à CNBB. Ele também critica a cessão de uma propriedade de frades capuchinhos, em Mato Grosso, para nela seja feito um "curso de guerrilha aos militantes do MST".
Para o coordenador da Regional Norte II da CNBB em Belém
padre Adriano Sella, a entidade não abrirá mão de seu apoio aos lavradores que lutam contra o "grande latifúndio". Ele disse que a terra é de Deus e não do fazendeiro, que a torna improdutiva. Sella acrescentou que o governo, por não ter "credibilidade", age com violência contra os sem-terra, "reprimindo as ocupações".
O padre observou ainda que o apoio da Igreja Católica aos sem-terra está previsto em vários documentos, até mesmo do Vaticano. "A terra deve ter uma função social, mas o problema, hoje, não é apenas a concentração de latifúndios, mas a própria grilagem de imensas áreas, principalmente no Pará, que deveriam servir à reforma agrária."

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