A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) vai denunciar o Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU) e sugerir a aplicação de sanções por violação dos direitos de 16 mil índios de várias tribos que vivem no Pará. Uma missão da FIDH, que está em Belém desde a semana passada, ouviu relatos impressionantes sobre o abandono dos índios. Eles estariam morrendo de malária, tuberculose e gripe, além de ter suas terras invadidas por madeireiros e garimpeiros.
O vice-presidente da FIDH, Fernando Gomes, de Guiné Bissau, e o diretor Roberto Morales, do Chile, informaram que o relatório a ser enviado à ONU deverá provocar a vinda ao Brasil de um observador internacional para comprovar a ‘‘total desatenção do governo federal quanto à saúde dos índios’’.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) perdeu 45% de seu orçamento para o exercício de 98, mas no Pará a situação do órgão é dramática, explicou à missão da FIDH o procurador jurídico da Funai Evaldo Pinto. Dos R$ 3,6 milhões que deveriam ser liberados até o final do ano para a Funai até agora chegaram a Belém apenas R$ 200 mil.
O Pará acabou ficando fora do programa de prevenção à Aids e doenças sexualmente transmissíveis do Ministério da Saúde, embora semana passada tivesse sido registrado o primeiro caso de Aids entre os índios caiapó, que vivem no sul do Estado.

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