Entidade denuncia falta de kits para avaliar doentes com HIV
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 28 (AE) - Dois exames importantes para acompanhar a evolução do tratamento de portadores do vírus da aids (HIV) - o CD4 e o de carga viral - estão em falta em vários laboratórios públicos do Estado de São Paulo. Dos 22 centros que oferecem esse teste, 5 já deixaram de realizá-lo. A denúncia foi feita pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV), uma organização não-governamental.
Os kits para os exames são importados pelo Ministério da Saúde. Segundo o diretor-geral do Instituto Adolfo Lutz, Cristiano Azevedo Marques, problemas burocráticos provocaram o atraso na entrega. "O ministério nos informou que a liberação do produto deverá ocorrer entre os dias 8 e 12 de novembro e, até o fim do mês, os laboratórios já poderão reiniciar os testes", contou.
De acordo com a assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde, o atraso teria sido provocado por problemas no Departamento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio. Ainda segundo a assessoria, a verba de US$ 1,45 milhão para o pagamento dos 160 mil kits foi liberada hoje. Atraso - Esta é a segunda vez neste ano que há um atraso na entrega dos kits pelo Ministério da Saúde, informou Azevedo Marques. Para evitar que o problema ocorra novamente, a partir do próximo ano, a Secretaria da Saúde de São Paulo deverá encarregar-se diretamente da compra. No Estado, estão faltando kits para exames de CD4 e carga viral nos laboratórios de Campinas, Rio Claro, São José do Rio Preto, Santo André e do Centro de Referência e Tratamento de São Paulo.
"A falta atingiu três dos centros considerados vitais: Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Campinas", disse o diretor-geral do Adolfo Lutz. São Paulo realiza por mês cerca de 7.100 exames de carga viral e CD4. O primeiro indica a quantidade de vírus na circulação sanguínea e, o segundo, o número de linfócitos, as células de defesa do organismo, atacadas pelo HIV. Segundo Azevedo Marques, o ideal é que o teste de CD4 seja feito três vezes por ano.


