Araçatuba, SP, 31 (AE) - O Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Araçatuba encaminha essa semana à Assembléia Legislativa do Estado pedido de investigação na Penitenciária II de Mirandópolis, a 620 quilômetros da Capital, onde há denúncias de tortura praticada por agentes de segurança.
A presidente da entidade, a advogada Edna Flor disse hoje que não se trata de um caso isolado, mas de uma sequência de acusações feitas nos últimos meses por familiares de presos que a procuram, mas que não querem ser identificados. "Não se ouve a mesma coisa do comportamento dos agentes da Penitenciária I, que fica ao lado", disse a advogada.
Flor afirma que conforme depoimento de parentes, os presos são castigados por banalidades e além dos espancamentos, são levados para uma cela de isolamento, conhecida pelo nome de "pote". Conforme o relato, ali o espaço é pequeno e entre as privações estaria a falta de comida e água.
Segundo a advogada é impossível conseguir uma acusação oficial porque os presos temem piorar ainda mais a situação. Mas ela confessa estar convencida da existência de um clima de terror naquela unidade, onde estão mais de 700 condenados. "Estou informando esses fatos à imprensa porque acredito ser essa a única forma de tentar encorajar quem queira formalizar a denúncia e provocar um inquérito", disse a presidente.
O diretor de segurança e disciplina da Penitenciária César Lacerda, afirmou ao diário "Folha da Região", de Araçatuba, que a advogada deveria ter usado as vias legais para apresentar sua denúncia. Segundo suas declarações "acusar é fácil, o problema é provar". Lacerda refutou qualquer suspeita sobre o comportamento dos agentes penitenciários. Citou inclusive que o juiz corregedor, Antônio de Oliveira Angrisani, visitou a penitenciária há uma semana, sem ter ouvido qualquer queixa dos prisioneiros.

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