Resistência de médicos em receitar genéricos, falta de informação ao consumidor sobre diferença entre similares e genéricos, cultura de automedicação do brasileiro, embalagens irregulares de similares. Estes são alguns dos problemas que ainda dificultam a venda de genéricos, um ano depois da entrada destes produtos no mercado brasileiro.
Segundo a farmacêutica Tânia Balbinotti, membro do Conselho de Farmácia do Paraná, na região de Londrina a venda de genéricos representa 1,8% do mercado de medicamentos. Uma médica que não quis se identificar afirma que muitos médicos estão atrelados aos laboratórios por isto não receitam os genéricos. Ela diz também que os laboratórios destinam uma verba para muitas farmácias venderem os similares – que são mais caros - e não os genéricos.
Outro problema que ajuda a confundir o consumidor, segundo Balbinotti, é que as embalagens de similares trazem apenas o nome do princípio ativo. ‘‘Só os genéricos, que passam pelo teste de bioequivalência é que podem trazer na embalagem o nome do princípio ativo’’, afirma. Uma medida provisória editada pelo governo federal deu prazo até abril para que os laboratórios coloquem nas embalagens dos similares o nome fantasia do medicamento e não o princípio ativo.
Hoje estão registrados, no Ministério da Saúde, 200 genéricos, mas apenas 60 são encontrados nas farmácias, segundo Balbinotti. Isto porque são registradas muitas marcas diferentes da mesma substânica química e várias formas farmacêuticas (pó, cápsulas, dosagens) também da mesma substância química. Além disto, parte dos genéricos registrados são de uso hospitalar. Um medicamento genérico pode ser até 100% mais barato que um de marca.
(Érika Pelegrino, de Londrina)

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