Recife, 05 (AE) - A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem um bom nível de qualidade e até subestima seu potencial em alguns aspectos, mas precisa rever seu currículo, descentralizar sua estrutura organizacional, promover maior integração entre ensino, pesquisa e extensão e criar um setor de acompanhamento pedagógico e acadêmico para os alunos. Além disso
deve investir mais em sua infra-estrutura, equipando melhor laboratórios e biblioteca, por exemplo. O diagnóstico - preliminar - foi apresentado hoje pela comissão da Middle States Comission of Higher Education, entidade norte-americana de avaliação de qualidade de instituições de ensino superior, com sede na Pensilvânia.
Integrada por seis especialistas norte-americanos e presidida por Saul Fenster, do Instituto de Tecnologia da Universidade de Nova Jersey, a comissão avaliou o ensino, corpo docente, estrutura funcional, recursos financeiros e a estrutura de apoio da UFPE, a primeira universidade latino-americana a submeter-se aos critérios de avaliação de qualidade da entidade. O resultado oficial do trabalho deve ser divulgado em três semanas. Há dois anos, a UFPE também foi pioneira ao ser avaliada pelo Conselho de Reitores da Europa. Antes, em 1995, ela deu início a um processo de auto-avaliação interna.
O objetivo, de acordo com o reitor Mozart Neves Ramos, é juntar todos os dados produzidos por essas três avaliações e fazer um documento que servirá de base para a atuação e funcionamento da UFPE no século 21. Todas as ações sugeridas e consideradas necessárias para o desenvolvimento e melhoria do ensino serão enquadradas em dois grupos: as que dependem apenas da vontade política da reitoria e as que dependem de recursos ou do governo federal. "A partir daí, vamos criar uma agenda de prioridades e tentar implantá-las seguindo um cronograma a ser estabelecido", afirmou o reitor. Ele adiantou que pretende acatar e colocar em prática, o mais breve possível, muitas das sugestões feitas pela Middle States.
Ramos concorda, por exemplo, que a universidade tem um currículo rígido, verticalizado, que não dá ao aluno a possibilidade de ser criativo e investir nas áreas de especialização a que se dispõe. E também aceita integralmente a recomendação de profissionalizar a gestão da universidade, atualmente muito centralizada na reitoria. Ele pretende tornar a administração mais ágil e eficiente, formando funcionários através de treinamento. Troca de informações - O primeiro contato com a Middle States foi feito há mais de um ano. Desde então, muitas informações foram trocadas e na sexta-feira a comissão de avaliação chegou ao Recife para visitar o campus e conversar com alunos e professores dos 62 cursos de graduação e 60 de pós-graduação. A UFPE está entre as dez principais universidades brasileiras e tem 20 mil alunos e cerca de 1.700 professores.

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