Entidade alerta para exploração sexual no carnaval
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sábado, 09 de fevereiro de 2013
Mariana Franco Ramos<br>Equipe Bonde 
Curitiba - Com a chegada do carnaval, entidades do governo e da sociedade civil alertam para o aumento no número de casos de abuso e exploração sexual infanto-juvenil. De acordo com a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná (CEDCA-PR), a delegada Márcia Tavares dos Santos, a grande concentração de foliões e o maior consumo de álcool e drogas favorecem a prática desse tipo de crime.
"A sociedade em geral tem de ser sensibilizada para, sempre que detectar algum comportamento diferente (por parte da criança ou do adolescente), comunicar as autoridades competentes, quer a polícia, quer o Conselho Tutelar. Lá a criança passará por um psicólogo, que irá orientar se houve ou não o abuso. Essa sensibilização é extremamente importante", afirma.
A coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, Daniela Carla Prestes, orienta os pais e mães a também reforçar o diálogo com os filhos. "Os casos chegam ao hospital a todo o momento, infelizmente. Mas, nessa época, aumenta a situação de risco, tanto para o agressor agredir, como para as crianças e os adolescentes serem vitimizados. Então, de forma sistemática também, os pais devem orientar seus filhos a não falar com desconhecidos, não aceitar nada de ninguém, e apontar para a criança como é importante a preservação da saúde e do bem-estar", aconselha.
De acordo com Daniela, na maioria das vezes os agressores são inteligentes, manipuladores e ardilosos, que lidam muito bem com a palavra e conhecem o funcionamento infantil e adolescente. Por isso a necessidade de fortalecer esse canal de comunicação. "Eles parecem sedutores, oferecem coisas que chamam a atenção, abraçam, fazem carinho, dizendo que aquilo é benéfico. Dependendo da idade, a criança não consegue perceber que isso é violência. E na verdade não está sendo cuidada, e sim agredida", diz.
Dados
Em 2012, o disque 100, mantido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), recebeu 40.799 denúncias de violência sexual em todo o País, um crescimento de 11% em relação a 2011, quando foram notificados 36.476 casos.
Do total registrado no ano passado, 1.852 aconteceram no Paraná. Os crimes sexuais mais comuns no Estado foram abuso (1.431), exploração (371) e pornografia (18).
Para conscientizar a sociedade sobre a incidência dessa prática em todo o País e divulgar como como denunciar atos de violência, a SDH lançou anteontem, no Rio de Janeiro, a campanha "Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie". A iniciativa inclui filmes em televisão, spots de rádio, camisetas, bonés, mochilas, máscaras, adesivos, garrafas de água e porta-documentos com o símbolo de três macaquinhos: "não ouço, não falo e não vejo".
Os crimes contra crianças e adolescentes devem ser denunciados diretamente nos Conselhos Tutelares e delegacias de cada município ou por meio do disque 100. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive domingos e feriados. A ligação é gratuita.
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