Salvador, 31 (AE) - O Espaço Cultural Curumim, entidade que divulga a cultura negra na capital baiana, decidiu ingressar com uma ação na Justiça contra a prefeitura de Salvador, por abuso de poder e racismo, por causa da ação violenta dos agentes municipais na sexta-feira passada. A prefeitura nega a acusação. Segundo a entidade cultural, 15 agentes da Secretaria de Serviços Públicos (Sesp) destruíram, a pontapés, uma barraca onde estavam sendo expostos 250 livros de autores negros, montada na Praça da Piedade, centro da capital. Em seguida, todo material foi apreendido.
Segundo o produtor cultural e representante da Curumim, Geraldo Maia, a barraca foi armada naquele local em protesto contra a proibição da prefeitura de realizar, na Piedade, a 5ª Feira Malê de Livros, evento que faz parte das comemorações dos 165 anos da Revolta dos Malês (insurreição de escravos africanos de origem muçulmana), ocorrida na capital baiana no século 19. "A prefeitura proibiu nossa feira numa praça onde ocorrem outros tipos de evento, sem qualquer motivo", reclamou. "A maior parte dos livros expostos apreendidos pertence à Casa de Angola e tratam da cultura africana", contou.
De acordo com a assessoria de Comunicação da secretaria, os eventos na Praça da Piedade estão proibidos desde a reforma do local, no ano passado. Ainda segundo a assessoria, a prefeitura teria oferecido outro local para a realização da feira, mas os organizadores recusaram dizendo que a Piedade sempre foi o espaço tradicional do evento. O Espaço Cultural Curumim pretende cobrar uma indenização de pelo menos R$ 20 mil pelos prejuízos causados com o cancelamento da feira.

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