PROPAGANDA Entidade acusa ministro de racismo Agência Estado De Brasília A Associação Brasileira de Negros Progressistas (ABNP) ingressou ontem com uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a abertura de processo contra o ministro da Saúde, José Serra, por racismo. A entidade questiona a escolha de uma atriz negra para a campanha de prevenção à Aids veiculada atualmente em cadeia nacional de televisão. Na campanha, a atriz pede que seu último parceiro faça o teste para detectar a presença do vírus HIV. Segundo a assessoria de Imprensa do ministério, 30 atrizes se candidataram para fazer a campanha. O assessoria de comunicação do Ministério da Saúde explicou que a atriz foi escolhida pelo seu desempenho em testes prévios. O maior preconceito, para o ministério, seria preterir a melhor atriz pelo fato de ela ser negra. Segundo o ministério, ela se enquadra no perfil do público onde a doença vem avançando nos últimos anos: mulher na faixa etária de 18 a 25 anos. Mas, segundo a associação, os direitos à imagem da mulher negra brasileira foram violados na campanha. ‘‘A personagem apresenta-se como uma ‘prostituta’, jamais como uma inocente’’, argumenta. ‘‘Por que escolher uma mulher negra que representa uma prostituta, ou, no mínimo, uma mulher vulgar e irresponsável, se a campanha teria como objetivo a prevenção de todos os cidadãos independente da raça a que pertencem ou do sexo’’, questiona a entidade. Segundo a associação, o governo brasileiro recusa-se a colocar em sua publicidade pessoas negras em campanhas dignas.