Enterro é observado por policiais
O enterro do corpo de Gabriel Barros dos Santos, de 6 anos, foi realizado na tarde de ontem, sob o olhar atento de 100 homens da Polícia Militar, que cercaram o quarteirão e as imediações do cemitério do Catumbi. Na noite do crime, os moradores entraram em conflito com a polícia e incendiaram dois ônibus. Cerca de 200 pessoas do morro do Zinco compareceram ao velório.
Quinze minutos antes do enterro, uma passeata com 50 crianças chegou ao Catumbi, com faixas de protesto, cobrando providências do governador do Estado.
Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) estão analisando o projétil para descobrir o calibre da bala (a dúvida está entre 9 milímetros e 380). O exame ainda constatou que o tiro partiu de cima. A bala perfurou a mandíbula esquerda inferior e se alojou no pulmão, provocando uma hemorragia interna. Esta seria mais uma justificativa em favor da polícia, uma vez que o menino estava em uma parte do morro que fica acima da guarita. O presidente da Associação de Moradores do Zinco, Mauro Firmo, disse que o laudo é forjado e que os policiais teriam atirado na direção de garotos do tráfico armados.
Embora o morro tenha sido ocupado por 200 homens da PM,
o comércio permaneceu de portas fechadas durante o dia. Na parte da manhã houve manifestação contra a polícia no morro e faixas foram estendidas no lugar.
Mãe do menino, a empregada doméstica Maria Otacília de Souza Barros, de 37 anos, disse que não costuma deixar os filhos brincando na rua com receio de acidentes com balas perdidas. Segundo ela, há três semanas um homem morreu nas mesmas condições do seu filho.
Maria Otacília tem mais quatro filhos e já perdeu um outro menino, na época com seis anos, que caiu de uma laje. O irmão do menino, Marcio, de 18 anos, disse que foi espancado no rosto pelos policiais, na noite de anteontem. Segundo ele, os policiais taparam os seus nomes, presos nos uniformes.
Gabriel morreu por volta das 17h30, quando chegava da escola. Revoltados, moradores da favela desceram o morro, fizeram barricadas e atearam fogo em dois ônibus. Quando policiais chegaram no local para controlar a situação teve início tiroteio entre polícia e traficantes, com uso de bombas de gás e até uma granada foi jogada pelos traficantes na rua. (A.E.)





