Kathia Tamanaha/ Agência Estado
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DorFamiliares ao lado do caixão de Fátima Ferraz, vítima do desabamentoEm silêncio, cerca de 80 pessoas se despediram da gerente administrativa Fátima Barbosa Ferraz, morta no desabamento do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, no Rio. Ela foi enterrada ontem em São Paulo, às 14h50, no Cemitério da Lapa (zona noroeste), no jazigo onde estavam os restos do pai, Álvaro Monteiro Ferraz, e de um tio. Ao contrário dos enterros de anteontem, no Rio, não houve manifestações de revolta da família e amigos sobre a tragédia, somente a dor diante da perda.
Fátima vivia há quatro anos e meio no Rio, onde trabalhava na Editora Goal. Há pouco mais de três meses, havia mudado com o namorado, Marcelo França, para o apartamento 802 do Palace 2. Abalados, segundo os parentes presentes ao enterro, o filho de Fátima, Andrezinho, o namorado, Marcelo, a mãe, Arialva, um dos irmãos, Luís, e o ex-marido, André, ficaram no Rio.
Os parentes mais próximos presentes eram os irmãos Danilo e Álvaro Ferraz, acompanhados dos filhos Diogo e Juliana. O engenheiro civil Bertram Jackel, 40, irmão de André, ex-marido da vítima, negou que Fátima tenha morrido ao buscar fantasias com as quais desfilaria em escolas de samba no Rio.
‘‘Ela era uma pessoa alegre, que gostava de desfilar, mas isto é uma mentira danada que inventaram lá. Isto não é verdade , disse o engenheiro, que esteve no Rio até ontem acompanhando as buscas.
O corpo da última vítima do desabamento, o engenheiro Gerardo Queiroz, ainda estava sob os escombros do Palace 2 até ontem à noite. Segundo vizinhos, ele teria ido à garagem do prédio, e seu corpo poderia estar no subsolo, dificultando as buscas.
Uma comissão de moradores acompanha o trabalho dos bombeiros e faz a primeira seleção dos objetos encontrados nos destroços. ‘‘É o nosso garimpo’’, disse Wagner Fernandes, 50, proprietário do apartamento 1.304 do edifício implodido.
Todos os objetos são colocados num contêiner cedido pela Prefeitura do Rio. Hoje ou amanhã, uma empresa especializada começará uma busca mais cuidadosa nos escombros, e os moradores pretendem montar uma espécie de bazar para começar a devolver os pertences aos donos. Se a identificação de papéis e documentos será fácil, eles ainda não sabem como farão para distribuir roupas e objetos de valor que venham a ser localizados.
‘‘É possível que haja coisas semelhantes, mas a consciência de cada um vai indicar o que fazer. Não pensamos nisso ainda’’, disse a advogada Maria Alba Galvão Fernandes, que guarda a chave do contêiner.
Parentes de Fátima Ferraz foram ontem ao local para tentar localizar objetos dela, mas os pertences só serão entregues todos de uma vez. ‘‘Não tem muita importância. A vida dela, que é o mais importante, não poderemos recuperar’’, disse Márcia Ferraz, cunhada da vítima.

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