Enterro de jornalista acaba em manifestação
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segunda-feira, 17 de julho de 2000
Agência Estado Do Rio 
O enterro de Barbosa Lima Sobrinho, ontem, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, acabou transformando-se em manifestação de partidos de esquerda, com a presença de algumas das mais importantes lideranças de oposição, como o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e do senador Saturnino Braga, ambos do PSB, do senador Eduardo Suplicy (PT) e do deputado federal José Genoíno (PT). Quatro candidatos de oposição à Prefeitura do Rio - a vice-governadora Benedita da Silva (PT), o ex-governador Leonel Brizola (PDT), o vereador Alfredo Sirkis (PV) e o deputado federal Alexandre Cardoso (PSB) - também estiveram na sede da ABL, onde Barbosa Lima foi velado.
O tom de ato político começou a ser dado já na saída do corpo da sede da ABL, onde foi velado, às 10h30. O cortejo seguiu em direção à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), presidida por Barbosa Lima. Militantes do PSB e do PSTU entoavam palavras de ordem, como Fora daqui FHC e FMI e Fora americano colonizador, em frente ao consulado americano. As palavras de ordem foram repetidas no mausoléu da ABL, para constrangimento da família.
Isso não tinha nada a ver com ele, que nem conhecia esses refrões, afirmou o filho mais velho do jornalista, Fernando Barbosa Lima. O que são cinco anos de Fernando Henrique na vida de um homem de 103 anos?, questionou. Para Fernando, uma homenagem mais pertinente seria cantar o hino nacional. Na avaliação da escritora e acadêmica Nélida Piñon, no entanto, o ato foi definido como extraordinário luto cívico. Segundo a escritora, a manifestação foi coerente com a trajetória do jornalista.
Cerca de 300 pessoas acompanharam o velório e o enterro de Barbosa Lima. Entre elas, parentes, amigos e políticos como o presidente em exercício Marco Maciel (PFL), o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos (PMDB), e o prefeito de Recife, Roberto Magalhães (PFL). Ele era um exemplo de coerência e ação que enriquece a história do País, afirmou Maciel, que decretou três dias de luto oficial. Em todas as atividades que exerceu, quer como jornalista, quer como político, demonstrou competência.


