Enterro de dona Neuma teve cerveja e samba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de julho de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
A primeira-dama da Mangueira, Dona Neuma, foi enterrada ontem de manhã como era o seu desejo: com cerveja, queima de fogos e muito samba. Centenas de pessoas participaram do cortejo com o corpo da sambista - que deixou o Memorial do Carmo, onde foi velado por mais de doze horas, em direção ao cemitério São Francisco Xavier, ao som da batida de um surdo de marcação. O sepultamento foi às 11 horas, com a multidão cantando a Exaltação à Mangueira, de Aloísio Augusto da Costa e Eneas Brites, acompanhado pela bateria da escola.
Representantes de dez escolas de samba do Rio levaram as bandeiras das agremiações na homenagem à Dona Neuma. Todos tinham muito respeito e carinho por ela, disse o presidente da Mangueira, Elmo dos Santos. Muito emocionada, Dona Zica, de 87 anos, permaneceu o tempo todo ao lado do caixão. Estávamos juntas em tudo que envolvia a Mangueira, contou. Agora estou sozinha.
O eterno puxador de samba da escola, Jamelão, de 86 anos, foi ao velório, mas não entrou no cemitério. Segundo ele, por precaução. A cantora Alcione passou mal durante o velório. Hoje começa uma nova história da escola, sem nossa mãe, disse.
O prefeito Luiz Paulo Conde destacou a importância de Dona Neuma na educação das crianças do morro. Ela ergueu a comunidade como educadora e como matriarca, disse.
A pedido de Dona Neuma, o velório transformou-se numa roda de samba. Compositores, ritmistas e integrantes da ala das baianas cantaram enredos antigos da Mangueira e velhos clássicos do samba.


