Enterro de bebê acaba em protesto
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Andréia Maia Agência Estado Rio de Janeiro 
Raimundo Valentim/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ClamorA manifestação fechou por mais de meia hora a BR-101: Queremos justiça, apontava o cartaz humilde feito em papelãoOs moradores do município de Tanguá, no Grande Rio, transformaram ontem o enterro do bebê Matheus da Conceição Nascimento, de sete meses, morto anteontem pelo desempregado Esmeraldo Paes Leal, de 36 anos, em um protesto contra a falta de segurança na região. Com pedras e tapumes, os manifestantes interditaram por 35 minutos a Rodovia BR-101, que liga o Rio a Campos. O congestionamento foi de cerca de 5 quilômetros.
Durante a manifestação, Ezequiel Conceição Lima, de 16 anos, foi atropelado pelo Gol placa LAR-7870, da empresa de Gás Agar, que tentou furar o bloqueio. O garoto foi atendido no hospital municipal e liberado.
No enterro, o pai de Matheus, o porteiro Paulo César do Nascimento, acusou a polícia de ter demorado para invadir a casa e libertar o bebê. Os policiais demoraram a prender o criminoso; eles esperaram o assassino matar meu filho para depois dominá-lo, afirmou o porteiro. O bebê foi morto após ter ficado como refém durante cinco horas. O criminoso invadiu a casa da família Nascimento de madrugada, tomado as cinco crianças como reféns. Depois de muita negociação ele libertou quatro delas.
De acordo com o IML da Itaboraí, apesar de ter sido degolado, Matheus morreu de traumatismo craniano. Ele teria sido jogado no chão pelo criminoso após ter sido esfaqueado. Pelo menos 50 pessoas acompanharam o sepultamento no Cemitério Municipal de Tanguá.


