Genebra, 06 (AP-Dow Jones) - O banqueiro Edmond Safra, patriarca de uma dinastia que já havia financiado as caravanas do Império Otomano, foi enterrado hoje no cemitério de Veyrier, nos arredores de Genebra, pouco depois da cerimônia ortodoxa judaica realizada na sinagoga Hekhal Haness. Durante o ofício, mais de 1.000 pessoas lotaram o templo e tentaram acalmar as lágrimas da viúva Lily e dos familiares.
"Foi um pesadelo", disse Elie Wiesel, historiador especialista no período do Holocausto e detentor de um Prêmio Nobel de literatura. Também acompanharam a família durante a cerimônia e o funeral o ministro de Relações Exteriores de Israel, David Levy, o filho exilado do último rei italiano, príncipe Vittorio Emanuele de Savoy, o príncipe Sadrudding Aga Khan e o ex-secretário-geral das Nações Unidas Javier Perez de Cuellar, entre outras autoridades.
O presidente do HSBC, John Bond, disse durante o funeral que seu banco vai honrar a tradição de Edmond Safra no setor financeiro. "Ningúem, nos anais da história financeira mundial, chegou a criar três bancos tão bem-sucedidos quanto Edmond Safra", afirmou.
Uma extensa fila de limusines formou-se do lado de fora do cemitério, como um reflexo do trabalho discreto de Edmond Safra no ramo de private banking, onde ele aumentou ainda mais sua fortuna por saber guardar os segredos de seus clientes. Entre seus clientes mais ricos estão centenas de judeus que fugiram dos países do Oriente Médio depois da guerra árabe-israelense.
Entre os ricos clientes de Safra que enviaram flores, destacou-se o ator Alain Delon, que enviou uma coroa de rosas e crisântemos brancos que foi colocada na parte de trás do carro funerário. O advogado Marc Bonnant, que representava os interesses do banqueiro em Genebra, cidade onde Safra morou parte de sua vida, também acompanhou o enterro ao lado do historiador Elie Wiesel.
"Mais uma vez ele conseguiu unir novamente pessoas de diferentes passados, culturas, religiões e horizontes sociais, como sempre fez", disse Wiesel recordando-se do amigo. "Cada um de nós está tentando lidar com as próprias lembranças de Edmond, e temos, também cada um, nossas próprias indagações sobre o que exatamente provocou o crime da sexta-feira." O grã-rabino francês Joseph Sitruk disse que Safra era um homem "único em sua geração".
Horas antes do funeral, três aviões fretados deixaram a cidade de Nice, perto de Montecarlo, no sul da França, levando o caixão, familiares e amigos de Edmond Safra. Segundo o porta-voz do Republic Bank of New York em Genebra, o funeral foi realizado na cidade suíça por "motivos logísticos", pois seria difícil fazer tudo em tempo para que a cerimônia fosse realizada em Jerusalém.

mockup