Rio, 25 (AE) - Foi enterrado hoje, às 15h30, no cemitério Jardim da Saudade, Sulacap, zona oeste do Rio, o professor e jornalista Marçal Versiani, de 71 anos. Versiani, que trabalhou no jornal "O Estado de São Paulo" como editorialista, estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea
zona sul, desde agosto. Há um ano e cinco meses teve diagnosticado um câncer de pulmão e, desde então, ele vinha fazendo quimioterapia.
Sobrinho do poeta Cyro dos Anjos e mineiro de Montes Claros, Marçal era conhecido por sua erudição. Falava fluentemente sete línguas: inglês, francês, alemão, espanhol, italiano, latim e grego. Professor de história, tinha também conhecimento em sociologia e antropologia. Especializou-se em Educação, em cursos feitos em Roma e Bruxelas. Médico e enteado de Versiani, Oswaldo Saback, qualificou o professor como um homem "intelectualmente diferenciado". "Ele era uma pessoa de rica convivência", comentou.
Segundo Saback, o jornalista descobriu que estava com câncer depois de ter feito um raio X de pulmão, por causa de uma forte gripe. Desde então, passou fazer sessões de quimioterapia. "Ele não sofreu e teve uma vida bem razoável, mesmo doente", comentou. No Dia dos Pais, Marçal passou mal, teve que ser internado e entrou em coma.
Tanto conhecimento tinha origem em sua sólida formação para ingressar na vida religiosa. Ele fez, inclusive, doutorado no Vaticano. Marçal foi padre da ordem vicentina até os 42 anos. Durante os anos 60, ele foi diretor do Colégio São Vicente de Paulo, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e conhecido por ser uma instituição liberal, que incentivava a discussão de temas sociais e políticos com os alunos.
Depois que resolveu largar a batina, aos 42 anos, Marçal começou a trabalhar no Departamento de Pesquisa do "Jornal do Brasil". O convite partiu de um ex-aluno do Colégio São Vicente
José Antônio Nascimento Brito, filho de M.F.Nascimento Brito, dono do "Jornal do Brasil". Além do JB, Marçal trabalhou no "O Estado de São Paulo", no qual exerceu a função de editorialista. Educação e Política Internacional eram os seus assuntos preferidos e que ele costumava abordar em seus textos. Também foi editorialista do jornal "O Globo", no qual trabalhou até 1997.
Com 30 anos de vida jornalística, Marçal decidiu se aposentar. Mesmo assim, não desisitiu da sua grande paixão, a vida acadêmica. Permaneceu ministrando aulas de História do Brasil para a 3ª série do 2º grau. O amor pelo colégio, com o qual tinha uma forte identificação, fez com que o jornalista escrevesse um artigo sobre o São Vicente, quando a instituição completou 40 anos de fundação. "No final dos anos 60 a escola evoluiu para um projeto de educação libertadora, matriz da história mais recente do colégio", escreveu.
Marçal tinha dois filhos do primeiro casamento, Betina e Conrado. Em 1995 casou com Tereza de Souza Pinto, de 70 anos. De acordo com o seu enteado, Marçal nunca se afastou de suas convicções religiosas. Tanto assim que conseguiu lincença canônia para casar.

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