Enterrado corintiano morto em briga de torcidas
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por Zuleika Haddad 
São Paulo, 21 (AE) - Parentes e amigos acompanharam hoje pela manhã o enterro do estudante corintiano Vagner José de Lima
de 18 anos, no Cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo do Campo. Ele foi espancado e morto com um tiro nas costas numa briga entre corintianos e são-paulinos, na madrugada de quinta-feira, na Avenida 9 de Julho.
Integrante da Gaviões da Fiel, o rapaz saiu do Estádio do Pacaembu, onde houve jogo do Corinthians, com 20 torcedores. Seguiram para um ponto de ônibus na 9 de Julho. Chegando lá, foram cercados por quase cem são-paulinos que vinham do Estádio do Morumbi, segundo a versão dos corintianos. A dos são-paulinos é diferente: corintianos teriam jogado pedras num ônibus da linha Brooklin-Bandeira em que eles estavam, o que os fez descer e partir para a briga.
Durante o enterro, integrantes da Gaviões da Fiel, que chegaram em três ônibus fretados, homenagearam Lima estendendo bandeiras da torcida no gramado do cemitério. Emocionados, cantaram o hino do clube, a pedido da mãe do estudante, a auxiliar de limpeza, Carmelita dos Santos Lima. Ela completou 48 anos hoje.
Carmelita estava muito abalada, quis despedir-se do filho na hora de enterrá-lo e, em seguida, foi embora. Abatido, o pai de Lima, Arnaldo Monteiro Lima, de 48 anos, disse que estava sem dormir e comer desde a morte. Ao contrário da mulher, que pedia desesperadamente por justiça, o pai mostrava-se apático. "Ninguém trará meu filho de volta." Sem esperanças, ele afirmou que não acredita que a polícia descubra quem matou seu filho. "Se fosse rico, teria mais chances de eles acharem o culpado."
Torcida - O presidente da Gaviões da Fiel, José Cláudio de Almeida Moraes, o Dentinho, disse após o enterro que "já esperava que houvesse problemas entre as torcidas", quando soube que Corinthians e São Paulo jogariam no mesmo dia e horário no Pacaembu e no Morumbi, respectivamente. "É uma falta de responsabilidade da federação", disse. A respeito de Lima, Dentinho afirmou que o apelido dele era Sossego. "Ele não se envolvia em problemas, nem era violento."


