ENTEROSCOPIA - Acesso direto ao intestino delgado
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de agosto de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Um novo exame que permite a visualização do intestino delgado já está disponível em Londrina, no Hospital do Coração, sob responsabilidade dos gastroenterologistas Rubens Menoli e Oscar Tacla. Trata-se da enteroscopia de duplo balão, procedimento que acessa com mais qualidade uma parte do corpo que antes só podia ser examinada via raio X ou por cápsula endoscópica.
Apesar de ser a parte de maior extensão do sistema digestivo - praticamente seis metros - o intestino delgado, segundo os especialistas, não é acessível por exames convencionais. Eles explicam que através da endoscopia digestiva alta é possível visualizar esôfago, estômago e duodeno, e através da colonoscopia, apenas o intestino grosso.
A alternativa para visualização do intestino delgado era indireta, através do raio X. Com o advento da cápsula, um equipamento que o paciente engole e que faz cerca de 40 mil imagens do sistema digestivo até ser expelido, o acesso direto foi possível, mas não em tempo real e sem a possibilidade de se selecionar partes do órgão de interesse para serem fotografadas. ''Agora, com esse aparelho, é possível acesso direto a esse segmento, e em tempo real'', ressalta Tacla.
O objetivo da enteroscopia de duplo balão, segundo Menoli, é o mesmo da cápsula, com a vantagem de ser possível fazer o tratamento de alguma lesão, se for o caso. Para isso é usado um bisturi de plasma de argônio, gás que promove coagulação de pequenas lesões. O equipamento ainda permite a realização de biópsias. ''Isso é muito importante porque de acordo com o tipo de câncer é que é definido o tratamento. Com o raio X não se podia ter idéia do tipo de tumor'', explica Tacla.
A principal indicação para o novo exame é de casos de sangramento digestivo de causa obscura, quando o paciente está perdendo sangue, passou pelos exames convencionais, mas não foi encontrado o local. Isso pode ser causado, segundo os médicos, por diverticulites, tumores ou malformações vasculares.
Diferente dos tradicionais, o novo exame é feito em centro cirúrgico, com o paciente sob efeito de anestesia geral. ''O acesso não é fácil, e o exame é demorado, no mínimo duas horas'', ressalta Menoli. O equipamento, de dois metros, insufla e puxa o intestino. ''Quando o enteroscópio chega ao intestino, inflamos os balões e tracionamos o intestino em direção à câmera, por isso conseguimos visualizá-lo''.
A resolução e a definição das imagens do interior do intestino, visualizadas por um monitor, é de altíssima qualidade e permite a localização exata de lesões. ''Mesmo que não se resolva na hora é de grande valia saber onde está a lesão, que pode ser marcada com tinta, para ser retirada durante uma cirurgia'', ressalta Menoli.
Segundo os especialistas, este é o primeiro aparelho do tipo no interior do Paraná, e o exame ainda não tem cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) ou de convênios. ''É um procedimento que precisa de indicação precisa. A relação custo-benefício tem que se justificar'', afirma Menoli.


