Arquivo FolhaVendaval deixa a cidade de Cascavel, oeste do Paraná, às escuras no dia 10 de outubro do ano passado.A doutora em meteorologia da Universidade de São Paulo, Maria Assunção da Silva Dias, fez um recente estudo sobre alguns casos de repercussão no Estado de São Paulo. Os eventos nas cidades de São Bernardo do Campo, Itu e Ribeirão Preto foram alvos de tornados. Analisando as condições meteorológicas dos dias das ocorrências, pôde observar que os ventos mantinham características especiais. Várias horas antes, os ventos se apresentavam com uma forte subida e rotação, explicou.
A formação do tornado se dá quando o vento de fora da cúmulus-nimbus consegue entrar na nuvem. Neste processo, há uma evaporação das gotas e o ar interno fica mais pesado e desce. O movimento de rotação existente no lado externo da nuvem é transferido para a massa de ar que está indo em direção do solo, o que possibilita a formação do funil. O aspecto escuro que dá visibilidade ao tornado vem dos destroços que estão sendo carregados para cima.
O mesmo mecanismo atmosférico ainda causa as microexplosões, um parente próximo do tornado e com poder de destruição igual ou até maior. As microexplosões são originárias da mesma cúmulus-nimbus. Ambos fenômenos agem, muitas vezes, em conjunto no mesmo local. A diferença é que neste novo caso, o ar denso chega ao chão com uma tremenda força de impacto, arrasando tudo na horizontal.
O tornado funciona como um peão. Seu deslocamento pode ser contínuo ou desaparecer em determinados trechos de seu trajeto. A nuvem-mãe consegue puxar para seu interior o cone, que volta com mais força do que antes. As distâncias percorridas são as mais variadas, deste poucos quilômetros até superior a 100 km. Sua duração também pode flutuar entre alguns segundos até 20 minutos.
Dos casos estudados, o mais violento foi o de Ribeirão Preto pelos danos causados, comentou a doutora.
Esse fenômeno é medido pela escala Fujita, criada pelo meteorologista norte-americano Theodore Fujita, da Universidade de Chicago. O padrão por ele desenvolvido divide os tornados em seis categorias, indo da escala F-0, com ventos de velocidade de 60 a 110 quilômetros, até o maior, o F-5, que atinge de 420 a 510 km horários. (JO)

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