Entenda o julgamento
1 - O líder sem-terra vai responder pelo assassinato do fazendeiro José Machado e do soldado da Polícia Militar (PM) José Narciso, com as agravantes de que eles terem sido mortos em uma emboscada e sem direito de defesa, em junho de 1988. Os dois estavam investigando a ocupação da fazenda de Machado.
2 - A promotoria pública apontou dez pessoas como envolvidas no episódio. Uma delas, o lavrador Verino Sossai, acusado de dar fuga a um dos supostos assassinos, foi morto. Dos nove réus restantes, apenas Rainha respondeu a todas as fases do processo. Os outros estão foragidos.
3 - A acusação contra Rainha vai ficar a cargo da promotora Elfrida Kruger, auxiliada pelo advogado da família de Machado, Jucilandi Rocha Borges, e o criminalista Vinícius Bittencourt, considerado um dos melhores do Estado. A promotora convocou cinco testemunhas, residentes em Pedro Canário: o comerciante Ivan Ipichim, Jurandir Mendes, o trabalhador rural José Jorge Guimarães, o Zé Côco, Altino Amaral e Rubens Luiz Pagotto Soares.
4 - Zé Côco seria a única pessoa a ter visto Rainha em Pedro Canário no dia do crime, e não no Ceará, onde ele sempre afirmou que estava, nessa época. O testemunho do trabalhador rural seria a única prova concreta contra o líder sem-terra. Funcionários da Justiça capixaba, que estudaram o processo e não quiseram ser identificados, afirmaram que o depoimento de Zé Côco é contraditório e não dá total certeza sobre a presença de Rainha no município, o que poderia ajudar o réu.
5 - A defesa arrolou testemunhas de cinco cearenses para confirmar o álibi de Rainha - inclusive o coronel da PM Sebastião Jorge Cavalcanti Leandro, na época, chefe do gabinete militar do governador Tasso Jeireissati. Todas já foram intimadas, mas também não há certeza de que compareçam.





