Londrina – O uso do vestibular para ingresso nas universidades públicas é cada vez menos comum. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), no primeiro semestre deste ano 101 instituições de ensino superior do País ofereceram 129.319 vagas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O número de candidatos inscritos chegou a 1.949.958.
Aderiram ao Sisu 43 universidades federais, 38 institutos e dois centros federais de educação tecnológica, uma faculdade federal e 17 instituições estaduais.
Em 2012, foram 108 mil vagas oferecidas por 95 instituições. O total de inscritos foi de 1.757.399. O Sisu foi criado para selecionar os candidatos para as universidades levando em conta a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
As mudanças na estrutura do vestibular, usado há quase um século nas universidades brasileiras, começaram em 2009, quando o MEC passou a dar mais peso às notas do Enem no processo seletivo. Hoje o Enem pode ser utilizado de quatro formas: como fase única, como primeira fase, como fase única para as vagas remanescentes após o vestibular ou combinado ao atual vestibular da instituição.
"O Enem está consolidado nas universidades federais até porque houve uma certa pressão do MEC para que esse método fosse adotado. O objetivo principal do MEC é poder fazer uma avaliação uniforme dos resultados do ensino médio. É um processo irreversível", aponta o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR), Jacir Venturi.
Para o coordenador do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Raul von der Heyde, a utilização de notas do Enem evita que o aluno tenha que realizar várias provas ao longo do ano, já que a mesma prova vale para diversas universidades.
"Uma das dificuldades enfrentadas ainda pelas universidades é que são necessárias várias chamadas para preencher todas as vagas. Em algumas instituições, com o vestibular tradicional, na primeira chamada se preenche 90% das vagas, com o Enem, depois de duas, três chamadas, não se completa dois terços das vagas. Não há explicações, por enquanto, para isso", comenta Heyde.
No Estado, apenas a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)destina 100% das vagas a alunos inscritos no Sisu. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) destina 10%. As demais são preenchidas por meio do vestibular tradicional.
Segundo a reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Nádina Moreno, a instituição estuda "com cautela e de forma aprofundada" a implantação de processos seletivos diferentes do vestibular tradicional.
"Todos os departamentos da universidade estão preocupados e refletindo se a implantação do Sisu é o melhor caminho. Imagino que a melhor forma é adotar este sistema de forma gradativa, 10%, 20% das vagas, para podermos fazer uma experiência. Entendo que o Sisu é um caminho a ser seguido e acredito que a médio prazo todas as universidades públicas o utilizem", frisa a reitora.
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) vai destinar no seu próximo processo de seleção 50% de vagas aos inscritos no Sisu. As outras seis continuam realizando apenas vestibulares tradicionais.
"Muitas universidades sérias e conhecidas aderiram ao Sisu. Isso permite que este processo se consolide e se fortaleça", acredita Liliam Faria Borges, pró-reitora de Graduação da Unioeste.
A Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (Fecea), que integra a recém-criada Universidade Estadual do Paraná (Unespar), decidiu usar as notas do Enem para preencher 75% das vagas para 2014. Os 25% restantes serão ocupados por candidatos inscritos no Programa Seletivo Seriado(PSS), sistema que avalia os alunos no final de cada um dos três anos do Ensino Médio.
Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), é adotado um sistema, não obrigatório, em que o aluno que fez o Enem pode optar para que a sua nota "seja um diferencial" no resultado final. A UEPG também usa como critério de seleção o PSS, implantado de forma pioneira na universidade em 2000.
"O uso da nota do Enem é um estímulo para que o aluno tenha um bom desempenho durante o Ensino Médio. Já que isso vai fazer diferença para a sua entrada na universidade", reconhece Raul von der Heyde.

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