ENSINO MÉDIO - Volta da Filosofia agrada professores
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segunda-feira, 24 de julho de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Filosofia e Sociologia, ciências que acumulam séculos de histórias, voltam a fazer parte do dia-a-dia dos estudantes. No Ensino Médio, as duas disciplinas passam a ser obrigatórias a partir do ano que vem, tanto para escolas públicas como privadas de todo País. A decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE), aprovada por unanimidade este mês, vem em boa hora. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiu incluir questões dissertativas de Filosofia na segunda fase de seu próximo vestibular para os cursos de Filosofia, Direito e Medicina.
A resolução do CNE dá às escolas prazo de um ano para adequação. A Secretaria de Estado da Educação (Seed) não deve ter problemas para implementar a decisão no Paraná. Segundo o professor Jairo Marçal, coordenador da equipe de Filosofia do Departamento de Ensino Médio, apesar das disciplinas não serem obrigatórias, a maioria dos colégios já têm as matérias em seu currículo. Das 1,2 mil escolas públicas estaduais que oferecem Ensino Médio, 962 já têm aulas de Filosofia e 863, de Sociologia.
Com um quadro de 25 mil professores no Ensino Médio, 948 lecionam Filosofia e 924, Sociologia. A maioria, segundo Marçal, é graduada em suas áreas. Para atender a nova necessidade, a secretaria contará com mais 37 professores para Sociologia e 44 para Filosofia. Eles fazem parte de um grupo de 2.090 professores, aprovados no concurso realizado em 2004, e que estão sendo chamados pelo Estado.
Marçal lembra, ainda, que as duas disciplinas tambémm estão contempladas dentro do programa de livros didáticos públicos da secretaria. O programa prevê, a partir de agosto, o uso de livros elaborados por professores da rede estadual para 12 disciplinas.
O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe), José Manuel de Macedo Caron Junior, prevê mais dificuldades para que os estabelecimentos se adequem às exigências. ''Somos a favor de adotar a Filosofia e Sociologia no currículo, mas o prazo previsto é muito exíguo. Onde vamos arranjar tanto professor em um ano? Seria preciso pelo menos quatro a cinco anos para formar profissionais e ter gente no mercado'', questiona.
São os docentes e entidades representativas dos profissionais da área quem mais festejam a decisão do CNE. A socióloga Sílvia Araújo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a reivindicação pela inclusão dessas disciplinas começou na década de 80. ''Era uma fase de transição para a democracia, e sentíamos a necessidade de disciplinas da área de humanas no ensino médio'', conta.
Para ela, a inclusão das duas disciplinas resultará em uma formação mais crítica do estudante. ''Eles terão uma visão do conjunto, um posicionamento mais contextualizado sobre o que ocorre, sob ponto de vista político, econômico e social'', diz.


