Ensino médico é contra prova do MEC
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sábado, 19 de julho de 1997
Agência Folha São Paulo 
Arquivo FolhaImpasseO ministro da Educação, Paulo Renato Souza, chamou a classe médica para um debate sobre o Exame Nacional de Cursos. As dez principais associações de medicina do País, além de divulgar os resultados de uma avaliação do ensino médico que vêm desenvolvendo há seis anos, o Cinaem, disseram que não aceitarão a imposição do provão do MEC. O ministro defende que outras entidades profissionais realizem também avaliações como a Cinaem, que considera um estudo profundo, embora de longo prazo. Eu não tenho condições de fazer isso para todo o sistema de graduaçãoQuando as críticas em relação ao provão, já começavam a diminuir, surgiu, na semana passada, um novo e potencialmente explosivo confronto na área.
O problema apareceu na segunda-feira, quando as dez principais associações de medicina do País, além de divulgar os resultados de uma avaliação do ensino médico que vêm desenvolvendo há seis anos, disseram que não aceitarão a imposição do Exame Nacional de Cursos do Ministério da Educação. Aplicado duas vezes, o provão é um exame feito por alunos que estão terminando o curso de graduação. Este ano atingiu seis cursos e, a cada ano, incorporará novas áreas, até ser estendido a todo o sistema de ensino superior, por determinação legal do MEC.
Em 1996, na inauguração, encontrou forte resistência de vários setores - principalmente das melhores instituições de ensino e de entidades estudantis. Mas este ano já foi aceito por muitos dos que antes o criticavam. A maior oposição ficou por conta da União Nacional dos Estudantes. Agora, os responsáveis pelo ensino médico defendem que o provão não deve ser introduzido na área.
É um exame localizado, pontual, que fotografa o que o estudante sabe e escreve, não suas habilidades e suas atitudes, afirma Antônio Rafael Silva, presidente da Comissão Interinstitucional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem). Nosso projeto é muito bom. Com ele sabemos como está o ensino de medicina, temos o perfil do aluno, do modelo pedagógico, muitas variáveis e não apenas uma, como o provão, diz Silva, que também preside a Associação Brasileira de Ensino Médico.
A avaliação da Cinaem classificou de deficiente a formação ética e humanística dos médicos, concluiu que eles são precocemente especializados e incapazes de se manter atualizados e de atender às demandas da população. Participaram voluntariamente 48 das 87 escolas de medicina do País. Como a enorme maioria dos críticos, os da área médica defendem critérios mais amplos de avaliação universitária - algo nos moldes do processo conduzido na pós-graduação pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) do MEC. A avaliação da Capes não começou com uma prova, e seus resultados só foram divulgados após quatro aplicações, afirma Nelson Cardoso Amaral, vice-reitor da Universidade Federal de Goiás, que fez um estudo mostrando distorções no resultado do provão.
Diante da oposição da classe médica, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, chamou as entidades para um debate sobre o Exame Nacional de Cursos. A reunião, segundo ele, ainda não foi marcada. Mas tenho até meados do ano que vem para definir os novos cursos que participarão, afirma.
Paulo Renato diz que o Cinaem é um estudo em profundidade, mas levou seis anos para ser feito. Eu não tenho condições de fazer isso para todo o sistema de graduação. São 5.000 cursos, diz o ministro, que afirma defender que outras entidades profissionais, como as da área médica, realizem também avaliações como a Cinaem. Eu tenho condições de incluir na avaliação da graduação dados como esse. São coisas complementares.


