Londrina – O número de matrículas no ensino fundamental em tempo integral no Paraná passou de 87.249 para 121.631, entre 2010 e 2013; um salto de 39,4% em três anos. Mas ainda há um grande desafio pela frente. Isso porque o número de matrículas representava 5,3% do total em 2010, e não passa de 8% em 2013. O fato do Plano Nacional de Educação não ter entrado em vigor pode adiar ainda mais a ampliação e qualidade do resultado. No Paraná, apenas 28% das escolas oferecem ensino integral para alunos do quinto ao nono ano; mas nem todas nos moldes exigidos.
Em todo o País, o número de alunos do ensino fundamental que estudam em período integral aumentou. Entre 2010 e 2013, o crescimento foi de 139%, passando de 1,3 milhão a 3,1 milhões, o que, no entanto, representa apenas 10,9% do total. "Temos um sistema que foi preparado para atender a educação em tempo parcial. O que estamos fazendo agora é um esforço (...) com a estrutura existente e algum aporte", disse o ministro da Educação Henrique Paim. Segundo ele, o gasto do ministério com o ensino integral nessa etapa da educação é de R$ 2 bilhões ao ano.
"Educação é de longo prazo. É como a muralha da China: eu olho pra trás e vejo ‘nossa, fizemos muita coisa’. Eu olho pra frente e acho: ‘nossa, falta muita coisa’", resumiu Chico Soares, novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A Secretaria Estadual de Educação (Seed) estima que cerca de 600 escolas, das 2.141 em todo o Estado, ofertem a modalidade - 48 delas em Londrina. A secretaria afirma estar trabalhando para que o número chegue a mil escolas até o final de 2014. A rede estadual de educação possui 1,3 milhão de estudantes no Paraná.
No município, a situação não é diferente. Apenas três escolas – duas em distritos – oferecem educação integral com currículo voltado especificamente ao ensino, em que 100% dos alunos participem de todas as atividades de formação. Outras 12 escolas possuem oficinas no contraturno, mas estas não contemplam a totalidade das crianças matriculadas, nem o modelo previsto em lei.
Segundo a secretária municipal de Educação, Janet Thomas, o maior gargalo ainda está no espaço físico. "São escolas em que não há estrutura para atender a todos os alunos em tempo integral. Precisamos de novas espaços para que este objetivo seja alcançado", comentou. Ela espera que as novas construções fiquem prontas nos próximos dez anos.
Enquanto isso, instituições que oferecem o molde adequado têm filas de espera. É o caso da Escola Municipal Hélvio Esteves, no Jardim Belleville (zona norte de Londrina), inaugurada em agosto do ano passado, na qual 240 crianças já desfrutam das atividades escolares em período integral.
De acordo com a diretora da escola, Tânia Gertrudes, a participação do aluno em todas as atividades é obrigatória. "O turno começa às 8 horas e segue direto até as 17 horas. O período da manhã é reservado ao ensino regular de disciplinas e à tarde são três oficinas", explicou, detalhando que são 14 oficinas no total e cada ano é direcionado a uma modalidade, de acordo com o grau de dificuldade e a faixa etária. Entre elas estão produção de texto, jogos matemáticos, artes cênicas e musicalização.(Com Folhapress)

Leia também:

- Matrícula em creches aumenta 7,45% em um ano

mockup