Antônio Gois
Agência Folha
  Brasília - A educação de jovens e adultos foi o nível de ensino que mais cresceu, em número de alunos, neste ano. É o que mostram os dados preliminares do Censo Escolar do Ministério da Educação, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC (Inep), em Brasília. Na comparação com o ano passado, o censo registrou neste ano um crescimento de 12,2% nas matrículas em escolas públicas e privadas para jovens e adultos. Foi um aumento maior do que a média verificada desde 1998, quando a taxa média de crescimento anual foi de 7%.
  A educação de jovens e adultos é voltada para os estudantes que já passaram da idade ideal para freqüentar o ensino fundamental (7 a 14 anos) e o médio (15 a 17 anos). O único setor da educação de jovens e adultos que apresentou queda (-9% do ano passado para este) foi o de cursos de alfabetização. Isso não significa, no entanto, que diminuiu o número de adultos aprendendo a ler e escrever. Como o censo trabalha apenas com dados coletados em escolas, não estão computadas aí as classes de alfabetização organizadas por ONGs, empresas, sindicatos e outras entidades, muitas vezes até em parceria com o setor público.
  Os dados do censo ainda são preliminares porque, como o número de alunos determina os repasses que municípios e Estados receberão do Fundef, o MEC estabelece um prazo para que prefeituras e governos estaduais contestem os números. Tradicionalmente, no entanto, há poucas mudanças dos dados preliminares para os definitivos.
  O censo confirma também tendências que vêm sendo verificadas desde 2000. O ensino fundamental, mais uma vez, apresentou uma pequena queda (-1,2%) no número de alunos, explicada pela queda na taxa de fecundidade da mulher brasileira e pela correção do fluxo escolar, com a diminuição das taxas de repetência.
  O ensino médio voltou a apresentar crescimento: 4,8% do ano passado para este. A educação infantil, voltada para crianças de 0 a 6 anos, cresceu principalmente entre as creches, onde a variação foi de 7,3% com relação ao ano passado. Na pré-escola, que atende crianças de 4 a 6 anos, o crescimento no mesmo período foi de 3,7%.
  Também foi verificado, assim como em outros anos, o crescimento de matrículas de alunos portadores de necessidades especiais em turmas regulares, onde eles estudam com os demais alunos. Com relação ao ano passado, esse crescimento foi de 30,6%. Ainda assim, a maioria (71%) dos alunos portadores de necessidades especiais continua matriculada em classes ou escolas onde há somente estudantes com algum tipo de deficiência.
  ‘‘Os dados do censo mostram que o esforço de ampliação das creches e do ensino médio precisa ser maior. No caso da educação infantil, quanto mais cedo as crianças estiverem na escola, melhor será, depois, a qualidade do ensino fundamental’’, disse o diretor de educação de avaliação básica do Inep, Carlos Henrique Araújo.

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