Recife - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem o engenho Niterói, pertencente à Usina Catende, na zona da mata sul, em Pernambuco, cuja massa falida é administrada desde 1995 por trabalhadores rurais ex-empregados da empresa e ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape). O MST reivindica a desapropriação de 23 dos 48 engenhos da usina e promete juntar mil famílias no acampamento em duas semanas para pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com este objetivo.
É a segunda vez que o movimento invade estas terras. Na primeira, em 2000, foram realizadas seis ocupações, mas a ação gerou tal polêmica que o MST decidiu recuar, acusado de estar disputando terra de trabalhador de outra organização. O assessor de planejamento do conselho de gestão da usina, Lenivaldo Marques da Silva Lima, informou estar entrando com uma ação de reintegração de posse na Justiça.
De acordo com o MST, 250 famílias participaram da ocupação. No cálculo de Silva Lima, foram 40 pessoas. Esta foi a 29 ocupação promovida pelo MST neste ano, em Pernambuco.
A Organização da Luta no Campo (OLC) fez ontem duas ocupações no município de Passira, no Agreste, nas Fazendas Varame, de 800 hectares, e Espinho Preto, 1,6 mil hectares. Participaram 180 famílias. O movimento, o mais novo das 14 organizações de luta pela terra do Estado, realizou um total de 61 invasões.

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