São Paulo, 12 (AE) - Quase uma dezena de engenheiros contratados pela Diocese de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, e especialistas enviados pela Secretaria de Habitação (Sehab) da prefeitura trabalharam juntos, durante todo o dia de hoje, na tentativa de regularizar as condições de segurança do Santuário do Terço Bizantino. O bispo Fernando Figueiredo espera que o local seja liberado ainda amanhã (13) pela prefeitura para a realização das três missas que o padre Marcelo Rossi costuma celebrar naquele local nos fins de semana. Mas, de acordo com informações obtidas na Sehab, a possibilidade de liberação imediata é remota.
A situação parece caminhar para um impasse. Se o templo não for liberado, Rossi pretende continuar fazendo celebrações ao ar livre, na Avenida Engenheiro Stevaux, que fica na frente do santuário. Cada uma das missas de fim de semana chega a reunir até 30 mil fiéis, provenientes de São Paulo e do interior. Regularmente, também comparecem fiéis de outros Estados, que chegam em caravanas de ônibus. Mesmo se chover, os encontros não serão suspensos. Rossi recomenda aos fiéis que não esqueçam o guarda-chuva.
O santuário foi interditado na quarta-feira (10) pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), vinculado à Sehab. Após fazer uma vistoria com duração de mais de três horas
o diretor do órgão, engenheiro Carlos Alberto Venturelli, concluiu que o galpão da antiga fábrica de vidros não oferece condições de segurança para a realização dos cultos. Ele ficou preocupado com o teto de metal, sujeito a risco de desabamento por causa da ação dos ventos e da ressonância da músicas entoadas pelos fiéis.
O Santuário do Terço Bizantino funciona no antigo galpão da fábrica há quase dez meses. A interdição, na quarta-feira, surpreendeu os dirigentes da Diocese de Santo Amaro, à qual o Rossi está vinculado.
Segundo informações do engenheiro responsável pelas obras do santuário, Paulo César Mayer, a diocese e a Sehab haviam feito um acordo, em novembro, para a realização de várias reformas no local. Elas envolviam o sistema elétrico e o teto, entre outras coisas. "Os prazos combinados com a prefeitura estavam sendo cumpridos", disse o engenheiro. "Mas, então, houve uma segunda vistoria, foram feitas novas exigências e não tivemos nenhum prazo para executá-las."
O bispo Fernando não contesta o Contru, mas também lamenta que não tenha sido dado prazo para a solução dos problemas.
Venturelli contesta as informações da diocese. Na opinião dele, o santuário nem deveria ter começado a funcionar sem oferecer condições adequadas de segurança.
"Em novembro, os responsáveis pelo local foram intimados a realizar as obras de segurança", disse. Ainda segundo Venturelli, a diocese começou efetivamente a realizar as obras, mas os riscos permaneceram. "Quando fizeram aberturas nas laterais do edifício para facilitar a saída das pessoas numa situação de emergência, expuseram ainda mais o teto à ação dos ventos", afirmou.
Venturelli justificou a interdição da seguinte maneira: "Se há risco de desabamento, sou obrigado a interditar e só posso reabrir depois que provarem, por meio de testes e simulações, que não há mais perigo."
O que a Diocese de Santo Amaro tenta provar agora é que não há perigo. "Nunca expusemos as pessoas a nenhum risco", diz o engenheiro responsável.
Este foi o terceiro templo que Venturelli interditou na cidade de São Paulo, em menos de duas semanas. Os outros dois pertencem à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Num deles, na Rua Joaquim Floriano, no bairro do Itaim, na zona sul, ele constatou que as saídas eram insuficientes para a passagem de fiéis numa situação de emergência. No outro, na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, foi constatado que as instalações elétricas ofereciam risco e que os extintores de incêndio estavam descarregados.

mockup