Engenheiros responsabilizados por acidente com garoto no Paulistano são condenados a pagar 20 cestas básicas
São Paulo, 28 (AE) - Os dois engenheiros considerados responsáveis pelo acidente que provocou danos cerebrais gravíssimos no estudante Guilherme Orlando Gunther, de 14 anos, em novembro de 1997, foram condenados a pagar 20 cestas básicas. Em 27 de novembro de 1997, o garoto recebeu um choque elétrico quando brincava no Clube Paulistano, no Jardim América, na zona oeste de São Paulo.
A decisão, da 3.ª Vara Criminal de São Paulo, absolve o presidente do clube, Cesar Ciampolini, e o diretor de patrimônio do Paulistano, José Eduardo Dias Gomes. Com base na Lei dos Juizados Especiais, a juíza Nidea Rita Coltro Sorci condenou os engenheiros elétricos Jociel Ferreira da Silva e Rafael Teles Eugênio ao pagamento das cestas básicas, porque ambos têm bons antecedentes. Ambos teriam sido os responsáveis pela instalação elétrica que provocou o acidente. Eles estavam colocando enfeites de Natal em uma palmeira, perto de uma das piscinas do clube. Encostado na palmeira, tinha um andaime de ferro. A fiação da iluminação natalina, em contato com o andaime, eletrificou o garoto.
Guilherme brincava com uma bolinha de tênis que caiu perto do andaime. Quando foi apanhá-la, encostou na estrutura sofreu o choque e ficou grudado ao andaime. Foi socorrido pelo amigo Julio Brandão Guimarães, que o empurrou, derrubando-o. Guimarães sofreu lesão leve. Guilherme teve parada cardiorespiratória e ficou em coma. Permaneceu internado até 17 de fevereiro de 1998. "Essa punição é ridícula; no começo, o processo estava nas mãos de um juiz que é assessor jurídico do clube", afirmou Newton Gunther, pai de Guilherme. Ele se refere ao juiz Marco Antônio Marques da Silva, que, titular da 3.ª Vara Criminal, estava com o processo até 4 de agosto de 1998.
O advogado de Gunther defendeu a suspeição do juiz para atuar no caso. "Independente de qualquer ação, espontaneamente, afirmaria a minha suspeição", disse o juiz. Ele afirmou que estava de férias quando recebeu o processo por meio de sorteio. Segundo Gunther, o juiz só se declarou suspeito após a ação de seus advogados. Indenização - Terminado o processo criminal, Gunther buscou a reparação civil pelo que houve com seu filho. Ele entrou com uma ação civil por danos morais e materiais pedindo indenização ao clube pelos gastos hospitalares, com medicamentos e com tratamento fisioterápico. Guilherme necessitará desses cuidados para o resto da vida.
Além disso, os pais pedem que o clube seja também condenado a pagar à mãe de Guilherme, Mônica da Cunha Bueno Seidenthal, que teve de abandonar a profissão - ela era comissária de bordo - para cuidar do filho. "Guilherme é hoje totalmente dependente até para as funções mais simples, como tomar banho", afirmou o advogado Luiz Roberto de Arruda Sampaio.
Os pais disseram que só entraram com a ação pedindo a indenização porque o clube não quis fazer nenhum tipo de acordo para custear o tratamento do garoto após o término do dinheiro da apólice de seguro que o clube mantinha para o caso de acidentes. "Desde o primeiro momento após o acidente, o clube assumiu a sua responsabilidade, mas sempre até o limite dessa responsabilidade", disse Alberto Lopes de Oliveira, assessor da presidência do clube.
De acordo com Gunther, o clube suspendeu os pagamentos do tratamento e só voltou a fazê-lo por ordem judicial, que mandou o clube custear o tratamento do menino durante o andamento do processo. "O que ocorre é que nós estamos vendo se é razoável o que está sendo reclamado em juízo", afirmou Oliveira. Ele afirmou que o caso foi entregue a um advogado do clube.





