Engenheiro se contardiz em depoimento
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 25 (AE) - O engenheiro-civil Antonio Carlos Gama e Silva, contratado pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo para acompanhar as obras do fórum trabalhista, caiu em contradição várias vezes no depoimento que prestou hoje à CPI do Judiciário.
Ele afirmou aos senadores que apenas "esporadicamente" tinha contato com o presidente da comissão de obras, juiz Nicolau dos Santos Neto, principal acusado do desvio de recursos da obra. Mas foi contestado pelo vice-presidente da comissão, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), que informou terem sido detectados "mais de 200 telefonemas" entre ele e o juiz, na quebra do sigilo telefônico obtida pela CPI.
Carlos Wilson também se opôs à declaração do engenheiro de que a obra está 98,02% concluída. Ele alegou que nem mesmo 60% do projeto foi levantado, conforme constatou com seus colegas da CPI na visita que fizeram ao local.
Outra correção ao depoente foi quanto à colocação dos elevadores: Gama e Silva disse que "boa parte" dos elevadores foram instalados. O senador disse que dos 24 elevadores planejados, foram entregues apenas 10, e nenhum deles panorâmicos, como estava previsto.
Apenas seis deles teriam sido instalados. O senador José Agripino Maia (PFL-RN) lembrou que foram liberados R$8,9 milhões para custear os elevadores, mas que o fabricante recebeu do TRT apenas R$ 200 mil. "E nesse caso, o ato de entrega só ocorreria por bondade ou benevolência", afirmou.
O relator Paulo Souto (PFL-BA) lamentou a insistência do engenheiro em dizer que não era responsável pela obra, apesar de os quatro ex-presidentes ouvidos pela CPI afirmarem que a liberação do dinheiro dependia de pareceres-técnicos em que ele informava sobre o andamento do projeto.
"A sensação que a gente tem é que ninguém era responsável pela obra", queixou-se o Souto. Gama e Silva se disse injustiçado na sentença do Tribunal de Contas da União (TCU) que o obrigou a devolver aos cofres públicos, juntamente com Nicolau e outras pessoas que acompanharam o empreendimento, R$57,3 milhões. Ele disse que não aceita a condenação porque em nenhum momento das investigações foi ouvido pelo Ministério Público ou pelo TCU.
"O senhor tem notícia de uma obra tão despojada de cuidados quanto essa?", perguntou o senador Amir Lando (PMDB-RO). "Tenho de outras até pior, como a Transamazônica", respondeu o engenheiro. Para Lando, a falta de coerência nas respostas de Gama e Silva demonstram que ele "navega no escuro".
O engenheiro que passou a acompanhar a obra a partir de 1998, Gilberto Morand Paixão, deu poucas informações à CPI. Segundo ele, a parte inacabada do fórum trabalhista de São Paulo é de apenas 19,75%. Paixão não soube dizer quais os procedimentos adotados pela Incal Incorporadora na compra de material para a construção ou quanto aos critérios adotados para a liberação de recursos.


