São Paulo, 08 (AE) - Depois de preso e indiciado pela polícia por suspeitas de corrupção na Administração Regional (AR) da Lapa, na zona oeste de São Paulo, o engenheiro Gilberto Trama mudou duas vezes de regional, mas continua exercendo uma atividade de decisão, agora na AR-Penha, na zona leste. Como funcionário da Unidade de Aprovação de Plantas, ele tem o poder de aprovar ou recusar plantas de imóveis com até 250 metros quadrados de área. A transferência ocorreu no dia 27.
Trama havia trabalhado na Penha em 1997, com o engenheiro José Augusto Fernandes Gomes, por indicação do vereador Toninho Paiva (PFL) - que hoje controlaria as regionais da Mooca e da Penha. Trama possui até um hotel e uma loja na Penha, em seu nome.
Depois que Paiva perdeu o controle da AR-Penha para o ex-vereador Vicente Viscome (preso e cassado por chefiar um esquema de propinas na regional), Trama e Gomes foram "emprestados" para a AR-Lapa - também investigada pela polícia e controlada pelo vereador José Izar, indiciado criminalmente.
Quando Toninho Paiva reassumiu o controle da AR-Mooca, coincidentemente, os dois engenheiros foram transferidos para lá. Pouco tempo depois, Trama e Gomes foram presos pela polícia pelas irregularidades cometidas quando estavam na Lapa.
Toninho Paiva confirmou a indicação dos dois para a Penha, mas negou que, depois, tivesse influência sobre as indicações nas outras regionais. "É uma coincidência, mas acho que, se o Trama está sendo investigado, a Prefeitura cometeu um erro gravíssimo ao transferí-lo para a Penha", afirmou Toninho Paiva.
A Prefeitura informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que Trama pode trabalhar na AR-Penha porque é acusado de irregularidades na AR-Lapa. Também foi informado que "o engenheiro não ocupa mais sua antiga posição de administrador e exerce uma função burocrática, sob a qual haverá revisão de seu trabalho."
Segundo a reportagem apurou com administradores regionais, porém, a função de Trama permite que ele recuse plantas antes de as encaminhar para os superiores. Se todas as plantas forem revisadas, o processo de aprovação será extremamente demorado.
Josué Magliarelli, marido da ex-vereadora Maeli Vergniano - que teve o mandato cassado durante a investigação da máfia dos fiscais -, foi transferido para a Secretaria Municipal de Abastecimento. Magliarelli integra, desde 13 de novembro, a equipe do Programa de Silêncio Urbano (Psiu). O irmão de Maeli, Márcio Tristão Vergniano, foi transferido ontem (07) para o Departamento de Manutenção da secretaria.
A coincidência entre eles vai além do local de trabalho. Os dois foram indiciados por peculato e formação de quadrilha e respondem a sindicâncias administrativas, que podem resultar nas demissões do serviço público.
O secretário de Abastecimento da Prefeitura, Jovelino Pereira Ribeiro, atribuiu a coincidência à necessidade que a pasta tem de engenheiros. "Ainda precisamos de mais cinco engenheiros", justificou. Ribeiro diz que a situação não lhe incomoda "porque eles não vão mexer com dinheiro, só exercer funções burocráticas".
Magliarelli é funcionário de carreira da Prefeitura, mas havia sido exonerado, em 22 de setembro, do cargo de assessor especial da Secretaria das Administrações Regionais (SAR). Ele também responde a ação civil pública da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que cobra devolução de R$ 101.000,00, por acumular ilegalmente, de 1987 a 1991, o cargo de arquiteto com o de assessor técnico da Câmara Municipal.
Por esse motivo, o Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced) da Secretaria dos Negócios Jurídicos concluiu, em 1998, um processo contra Magliarelli. Mas a situação funcional dele ainda estava sendo apurada hoje pela Prefeitura, "em fase de instrução", informou o secretário de Comunicação Social, Antenor Braido.

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