Apucarana - Comoção e revolta marcaram ontem o velório do engenheiro civil Francisco Marchi, de 34 anos, vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte) na noite de segunda-feira em Apucarana (Centro-Norte). Marchi foi morto dentro de casa com um tiro no peito na frente da mãe, esposa e das duas filhas, de 1 e 3 anos.
Dois assaltantes encapuzados invadiram a residência na Rua Geraldo Alves Pereira, no Loteamento Cazarin, bairro de classe alta de Apucarana, quando a mãe da vítima, Sônia Marchi, deixava a casa.
"A minha mãe tinha ido visitar o meu irmão e estava indo embora. Quando minha cunhada abriu a porta da sala elas foram rendidas e entraram em pânico. Meu irmão tentou protegê-las, além das crianças que estavam com elas, e foi em direção aos assaltantes quando acabou sendo baleado", contou o médico Leonardo Marchi, de 36 anos. O engenheiro chegou a ser atendido pelo Samu, mas morreu a caminho do hospital.
De acordo com a Polícia Civil, foram disparados três tiros de uma pistola .40 e um de revólver 38. Dois tiros atingiram as paredes da sala da casa. A família, que mora na cidade há 35 anos, ficou totalmente abalada. "É difícil acreditar em uma coisa dessas. Imagine o estado da minha mãe, da mulher dele e das crianças que presenciaram tudo", colocou Leonardo.
O delegado chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, Valdir Abrahão, explicou que os criminosos usaram uma escada para subir em um muro de cinco metros de altura nos fundos da casa e fugiram pelo mesmo local. A polícia localizou uma camisa e um boné que teriam sido utilizadas pelos bandidos e pode ajudar na identificação do grupo.
"Nunca registramos crimes graves neste bairro. O local chama a atenção pelas casas de alto padrão e muitos terrenos vazios", apontou o delegado. "Já temos uma linha de investigação e esperamos localizar os autores em poucas horas."
A morte de Francisco Marchi foi o quinto latrocínio registrado em Apucarana neste ano. A cidade contabiliza ainda mais quatro homicídios. Em 2012, foram 12 assassinatos e apenas um latrocínio. A crescente onda de violência preocupa os moradores.
"A sensação de insegurança é muito grande. Você não tem mais tranquilidade para sair de casa, ficar na rua conversando com um amigo. O número de crimes aumentou demais", relatou o vendedor Ocimar Bernardes, de 43 anos.
Para o representante comercial Valdir Viale, de 47 anos, o problema é a falta de efetivo. "A cidade cresceu e o número de policiais diminuiu. Temos poucas viaturas pela cidade e o número de marginais também aumentou muito", frisou.
O corpo de Francisco Marchi foi cremado no fim da tarde de ontem em Maringá.

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