Engenheiro culpa lixo e excesso de chuva por alagamento no Anhangabaú
São Paulo, 01 (AE) - O engenheiro Paulo Taliba, coordenador do Programa de Manutenção dos Túneis da Prefeitura de São Paulo, responsabilizou o lixo que a população joga nas ruas e o excesso de chuva na região central da cidade pela inundação dos túneis do Vale do Anhangabaú. "As oito bombas instaladas nos túneis funcionaram normalmente, mas foram insuficientes para retirar a grande quantidade de água que descia das avenidas 23 de Maio e Nove de Julho", disse.
"Há dois sábados retiramos um caminhão basculante do lixo coletado só na primeira grelha na entrada dos túneis", se queixou. "São papéis, sacos plásticos e latas".
Motoristas e vendedores ambulantes que trabalham perto dos túneis afirmaram que os funcionários da Administração Regional da Sé só ligaram as bombas "muito depois da chuva ter começado, quando já inundação." Para a vereadora Aldaiza Sposati, líder do PT na Câmara, o problema do túnel é muito mais grave. "Em 1998, a Câmara aprovou uma verba de R$ 3,1 milhões para que a Prefeitura realizasse obras para uma drenagem eficiente no Vale do Anhangabaú, mas nenhum tostão foi gasto até agora", afirmou.
Aldaiza ao ver toda a Avenida Nove de Julho alagada disse que a Prefeitura também foi autorizada a gastar R$ 25,1 milhões na limpeza de bueiros e bocas-de-lobo. "Mas utilizou apenas 40% desse dinheiro e os bueiros e bocas-de-lobo foram os principais responsáveis pelo alagamento dessa avenida."
Presos - A enxurrada invadiu a celas, o térreo e o estacionamento do 77.º DP, na Alameda Glete, em Santa Cecília. Os carros da polícia boiaram e os 80 presos de quatro celas ficaram com a água na altura dos joelhos."Foi horrível", disse a investigadora Olívia Aparecida Alves. "Por sorte, os boletins de ocorrência ficam no primeiro andar." Do lado de fora um Escort boiou, acabou virando e ficou com as rodas para cima
Arrastada - Uma moradora da Rua Pindorama, no bairro de Jordanópolis, em São Bernardo do Campo, foi arrastada pela enxurrada. Alguns metros depois um homem conseguiu salvá-la perto de uma grade. "Ouvi um grito e o desespero tomou conta de todos", contou Gabriela Zimet, gerente comercial da Indústria de Perfis Plásticos Trim, que conseguiu fotografar o salvamento.
"Desde de 1991 não chovia tão forte na região", disse o gerente financeiro Marco Antônio da Silva Trim, da indústria. "O nível da água chegou a 2,10 metros e invadiu várias residências da rua, cobriu veículos e alcançou as copas das árvores." Trim explicou que a sua indústria não chegou a ser invadida pois todos os acessos são fechados com comportas. A chuva começou às 15h10 e a água começou a abaixar somente às 18h30.





