Conforme o engenheiro civil e coordenador da Câmara de Engenharia e Segurança do Trabalho do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR), Antonio Cezar Carvalho Benoliel, além das casas noturnas, locais como shoppings, estádios de futebol e espaços destinados a eventos e festas também precisam passar por uma avaliação criteriosa.
Ele defende mudanças profundas nas regras previstas para o funcionamento desses locais. "Se fôssemos mais a fundo na fiscalização destes estabelecimentos, um número muito maior de locais seria reprovado. Na grande maioria não existem exaustores de fumaça, por exemplo, e equipamentos eficientes para garantir uma maior segurança aos frequentadores", ressalta.
Ele lembra que ninguém morreu queimado na tragédia em Santa Maria. "O grande problema foi a fumaça tóxica inalada pelos jovens. Também não havia um plano de evacuação eficiente. Existe uma fragilidade no controle de funcionamento destes locais e é necessário um trabalho mais efetivo para se evitar novos problemas", reforça.

Bares
Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar), defende as vistorias nos estabelecimentos, mas critica o "autoritarismo" que vem sendo praticado por parte do poder público, através de atos "sem nenhuma base técnica".
Conforme ele, tais medidas têm gerado um impacto profundo aos empresários, causando desemprego e abrindo brechas para a clandestinidade. "Muitos locais estão fechando as portas e produtores estão deixando de realizar shows na capital, por exemplo, por causa de regras absurdas. É por isso que cada vez mais vemos festas e eventos em chácaras e, nesses locais, não se tem controle ou vistorias. Não somos contra as vistorias. Entretanto não se pode criar medidas e atos arbitrários apenas para dar uma resposta com viés político e atrapalhar a vida dos empresários", ressalta.
De acordo com a Abrabar, no Paraná, o movimento em casas noturnas, bares e locais de grande concentração de pessoas caiu 40% em relação ao ano passado. Somente na capital este volume foi 30% menor. "Em grande parte isso ocorreu por causa do reflexo da tragédia, mas junto veio uma série de medidas e projetos sem nexo, além de um excesso de burocracia que atrapalha o funcionamento destes espaços", reclama. (R.C.J.)

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