Curitiba- Usar a tecnologia como aliada para ajudar portadores de deficiência a superar suas limitações físicas tem sido o foco do trabalho do engenheiro eletrônico e doutor em automação Manuel Cardoso, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), há, pelo menos, 15 anos. Ele participou de um seminário, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, onde apresentou suas invenções, que buscam melhorar a qualidade de vida de tetraplégicos, surdos e cegos.
Um dos equipamentos, já disponível no mercado, é o mouse ocular, que começou a ser produzido, este mês, pela Digibras Indústria do Brasil, fabricante de equipamentos de informática da marca CCE, em Manaus (AM). O aparelho permite às pessoas tetraplégicas, com distrofia muscular, doenças degenerativas ou que não têm os membros superiores a usar o computador com o movimento dos olhos. ''A idéia surgiu durante uma visita a um hospital, onde me deparei com um rapaz que ficou tetraplégico depois de um acidente. Ele só podia mecher os olhos'', contou Cardoso, que passou a estudar a fisiologia desse órgão e associou sua funcionalidade com a eletrônica.
O mouse é conectado ao usuário por meio de cinco eletrodos, que são dispostos na face. O movimentos dos músculos gera sinal elétrico que é captado por esses eletrodos. Com o movimento dos olhos, a pessoa controla o movimento do cursor sobre um teclado virtual que aparece na tela do computador. O cursor pára com um piscar de olhos. Uma segunda piscada seleciona a letra ou a função que o usuário deseja -como apertar a tecla enter.
Segundo o pesquisador, o projeto ganhou novo impulso, em 1997, com a criação da Fundação Desembargador Paulo Feitoza, até chegar ao modelo final: 85% menor e 75% mais barato, graças, também, à parceria com a iniciativa privada. O custo estimado do mouse ocular, informou Cardoso, é de R$ 150,00. Os royalties da comercialização irão para a Fundação dar continuidade a outras pesquisas.
Cardoso disse que há, ainda, uma certa dificuldade em relação à logística de venda por se tratar de um equipamento de uso bastante específico. Por isso, a Fundação Desembargador Paulo Feitoza está buscando parcerias com instituições que possam ajudar a divulgar e treinar as pessoas para o uso do mouse ocular. A primeira parceira será a Escola Paulista de Medicina. Em Curitiba, a Fundação pretende buscar o apoio do Hospital Pequeno Príncipe.
No Brasil, há aproximadamente 4 milhões de pessoas que poderiam ser usuários potenciais do dispositivo, lembra Cardoso. O pesquisador, no entanto, adiantou que sua invenção irá transpor fronteiras. Já há encomendas do Japão, China e Colômbia.
Cardoso vê no mouse ocular -e nos outros aparelhos que está trabalhando- mais que uma ferramenta de apoio às pessoas com deficiência. Ele aposta na possibilidade de inclusão social e econômica que os inventos proporcionam. Segundo Cardoso, algumas pessoas que usaram o mouse ocular, em sua fase experimental, voltaram ou começaram a trabalhar e até cursar uma faculdade no sistema de educação à distância.
Serviço - Outras informações no página da Fundação Desembargador Paulo Feitoza na internet (www.fpf.br) ou pelo telefone (92) 2123-9797 ou, ainda, na página da fabricante (www.cceinformatica.com.br).

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