Rio de Janeiro, 10 (AE) - O engenheiro civil Sergio Murilo Domingues afirmou hoje em seu depoimento na 33ª Vara Criminal, que no período entre 1990 e 1992 o ex-deputado Sergio Naya frequentava o canteiro de obras do edifício Palace 2 todas as segundas-feiras.
Domingues disse que não exercia responsabilidade técnica nas construções da Sersan e que apenas atuava em uma esfera administrativa.
"Os depoimentos de Sergio Murilo e de José Roberto Chendes servem para confirmar a nossa convicção da responsabilidade penal dos dois engenheiros e de Sergio Naya", afirmou o advogado das vítimas do Palace 2, Nélio Andrade.
O depoimento de Domingues, que durou quase quatro horas, foi logo após o de Chendes, que também contou à juíza Érica de Paula Rodrigues que Sergio Naya vinha todos os fins de semana para acompanhar as obras do Palace 2.
Domingues iniciou o seu depoimento declarando que não participou como engenheiro na fiscalização das obras do Palace 2. Ele disse que chegou a acompanhar de perto a realização das fundações, a edificação dos subsolos dos dois edifícios - Palace 1 e Palace 2 - e a edificação da estrutura de concreto, até o décimo andar, do Palace 1. Mas fez questão de deixar claro que na época ele exercia a função de coordenador.
Segundo ele, o egenheiro Valfrido Branco de Almeida ficava envolvido diretamente com o canteiro de obras. O engenheiro não soube precisar quando começaram as obras do Palace 2 e contou que foi para Brasília em 1992 e citou três engenheiros - Raimundo da Cruz Costa, Dagoberto e Walker Fernandes dos Santos - como os responsáveis pelas obras do condomínio Palace após a sua viagem para o Distrito Federal.
Domingues disse que quando retornou ao Rio de Janeiro em 94 já encontrou o Palace 2 construído. O advogado das vítimas do Palace 2 contesta esta versão. "Eu tenho documentos que provam que ele (Domingues) esteva aqui durante a construção do Palace 2", afirmou Andrade. De acordo com Domingues, Chendes foi o autor do projeto estrutural.
Segundo ele, nas cópias das plantas que recebeu para coordenar a obra havia o logotipo de escritório de Chendes. Ainda sobre Naya, ele acrescentou que no fim de 96 e no ano de 97, quando surgiram as primeiras irregularidades na construção do Palace 2, o ex-deputado foi procurado pelos moradores do Palace 2 e tomou conhecimento dos problemas.

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