Engenheiro acusa Naya em depoimento à polícia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 10 (AE) - O engenheiro José Roberto Chendes, acusou hoje o ex-deputado Sérgio Naya de ter usado cálculos preliminares na construção do Palace 2, que desabou em fevereiro de 1998. No acidente, oito pessoas morreram. Hoje, o engenheiro, responsável pelos cálculos do edifício, prestou depoimento à Justiça. Chendes disse que não assinou a planta do Palace e que Naya ordenou o andamento de uma outra obra, na Barra da Tijuca, na zona oeste, sem que o planejamento tivesse sido concluído.
O calculista foi interrogado a portas fechadas por mais de duas horas pela juíza Érica de Paula Rodrigues da Cunha, da 33ª Vara Criminal. Somente sete ex-moradores do Palace e advogados envolvidos no processo puderam assistir. Chendes disse ter feito apenas um estudo inicial que deveria ser complementado por outros dois mais aprofundados. Chendes disse nunca ter visto o original da planta do Palace, somente cópias, e também que delas não constam sua assinatura. O engenheiro responsável pela obra, Sérgio Murilo Domingues, também foi ouvido hoje. Seu interrogatório começou por volta das 16h30 e não havia terminado até o fim da tarde.
Grave - Para o criminalista Nélio Andrade, que defende as vítimas, a situação de Naya foi agravada com o relato de Chendes. "Ele disse que entregou os cálculos no escritório da Sersan (construtora de Naya) em 1989, e depois disso não teve contato com o projeto", contou. "Isso deixa claro que Naya foi o grande culpado pela tragédia, por usar cálculos iniciais como se fossem definitivos", afirmou o advogado.
Shopping - Em relação à construção do shopping center - cuja obra foi interrompida à época do desabamento do Palace -, Chendes afirmou ter sido notificado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (Crea-RJ) sobre seu embargo mesmo tendo entregue apenas cálculos premilinares. "Mais uma vez, Naya tocou a obra tendo em mãos um projeto básico; quando Chendes foi avisado, o shopping já estava com dois andares", disse Nélio Andrade.
O advogado acredita que, até o fim deste ano, o processo esteja concluído. Em março, Naya será ouvido pela Justiça pela segunda vez. Ele responde processo em liberdade, depois de ficar 29 dias preso no Rio. A presidente da Associação das vítimas do desabamento, Rauliete Guedes, acredita que "Naya está cada vez mais próximo da cadeia".


