Alto Paraíso, GO, 09 (AE) - Quando o engenheiro de telecomunicações Luiz Paulo Veiga Nunes Pereira resolveu abandonar o emprego, onde ganhava R$ 11 mil mensais, ninguém entendeu. O seu chefe na ocasião, o atual presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, tentou fazê-lo mudar de idéia, mas de nada adiantou. Veiga trocou tudo por uma vida simples em Alto Paraíso, onde montou uma pousada e faz terapia alternativa. "Acho que não era aquilo que eu queria", diz o engenheiro, hoje secretário de Meio Ambiente e Turismo da cidade, enquanto atende inúmeros telefonemas de jornalistas de todo o mundo, que querem saber como está a movimentação na pequena cidade.
Veiga foi um dos criadores da Internet no Brasil, quando fez parte do Comitê Gestor da Internet. Antes da privatização do setor de telecomunicações, foi enviado ao exterior para dar palestras sobre o sistema brasileiro. Hoje, não pensa mais no assunto. Sempre tranquilo, Veiga só aparenta aborrecimento quando alguém fala sobre os moradores de Alto Paraíso. "Na cidade grande, as pessoas piram e não têm nada em mãos", afirma o terapêuta. "Quem está aqui, tem alternativas em potencial".
Como Veiga, Jurema Iara Luz deixou parte de sua vida no Recife, há três meses, para morar na cidade. "Recebi uma visão que dizia que deveria estar aqui", diz Jurema, acrescentando que deixou seus dois filhos e o marido. Da mesma forma que Veiga
ela trata o assunto de fim do mundo com ironia. Quando alguém chega, principalmente jornalistas, ela indaga: "Vieram ver o fim do mundo?" Jurema explica que as informações estão deturpadas. Natalyna Villas Boas também deixou sua terra natal no Rio Grande do Sul, acompanhada de outras 15 pessoas. Segundo ela, Alto Paraíso é o melhor local para exercer suas atividades de terapeuta.

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