Cidade da Guatemala, 09 (AE-AP) - Uma proposta dos Estados Unidos de permitir que a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviasse "amigos" para resolver potenciais ameaças à democracia em países da região foi engavetada depois de receber uma pouco amistosa resposta de alguns membros.
A proposta, uma das prioridades dos EUA na Assembléia Geral da OEA desta semana, permitiria que a organização enviasse o que foi descrito como "um grupo de amigos" para ajudar estados-membros a resolver problemas internos que, se não controlados, poderiam eventualmente ameaçar a democracia do país.
México, Peru e outros dos 34 integrantes da OEA consideraram que o plano poderia levar à indesejada interferência em assuntos internos das nações no hemisfério ocidental - uma região onde os Estados Unidos têm historicamente imposto sua vontade com mão-de-ferro.
"Acreditamos que todas as ações da OEA deveriam ser dirigidas de forma que cada país... seja responsável por tratar de seus problemas, mantendo sempre sua soberania", afirmou na noite de terça-feira o ministro do Exterior do Peru, Fernando de Trazegnies Granda.
A proposta foi devolvida ao comitê e os Estados Unidos esperam alcançar um acordo na assembléia do ano que vem. Representantes dos EUA disseram acreditar que o conceito da proposta deles tem amplo apoio, mas os detalhes precisam ser melhor trabalhados.
"Esperávamos plenamente que houvesse preocupação sobre a interferência em assuntos internos", afirmou Peter Romero, subsecretário de Estado em exercício para assuntos do hemisfério ocidental, numa breve entrevista.
A OEA já tem autoridade de mediar crises, como golpes de Estado, afetando estados-membros. A proposta dos EUA iria permitir a OEA a se envolver antes que uma disputa interna explodisse em crise total, "garantindo que um potencialmente controlável fogo num arbusto não acabasse queimando toda a floresta", disse Romero na assembléia.
A reunião de três dias terminou na noite de terça-feira com a reeleição de César Gavira, um ex-presidente colombiano, para um mandato de cinco anos como secretário-geral. Entre as decisões finais houve a criação de um comitê para aumentar a cooperação entre os estados-membros contra o terrorismo.

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