Engarrafamento na Via Dutra chega a 13 Km
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terça-feira, 04 de janeiro de 2000
Por Roberta Jansen e Felipe Werneck 
São Paulo, 4 - O engarrafamento hoje (4) na Rodovia Presidente Dutra chegou a 13 quilômetros por causa da queda de barreiras em alguns pontos. O pior trecho era entre as cidades de Queluz e Lavrinhas, em São Paulo, onde apenas uma faixa do sentido Rio-São Paulo estava liberada. Para ultrapassar essa parte, os motoristas levavam mais de duas horas. Durante todo o dia o tráfego foi lento na direção Rio-São Paulo.
Uma barreira caiu no km 17, na altura de Lavrinhas, tomando totalmente as duas faixas da pista São Paulo-Rio, uma da direção oposta e o acostamento do lado direito. Como só uma faixa estava liberada, os carros passavam um de cada vez, formando o engarrafamento.
Às 17h30 a faixa da esquerda da Rio-São Paulo foi liberada para caminhões e ônibus e a pista contrária funcionava em mão dupla, o que fez que o congestionamento acabasse no fim da tarde. O acostamento e a faixa da direita continuavam, no entanto, cobertos pela terra.
Um pouco mais à frente, entre os km 18 e 20, toda a pista Rio-São Paulo foi interditada pela queda de outra barreira. O tráfego era escoado em mão dupla pelas faixas opostas. Por volta das 17h30, o trecho foi liberado. No km 12, outro deslizamento de terra fechou uma das faixas da pista Rio-São Paulo.
Na divisa com São Paulo, o tráfego chegou a parar em alguns trechos e manteve-se lento até o km 14, onde uma das pistas em direção a São Paulo estava totalmente interrompida. Parte do tráfego era feita numa faixa da pista contrária. Veículos de passeio e até ônibus trafegavam perigosamente pelo acostamento.
Funcionários da concessionária NovaDutra, que administra a rodovia, faziam a lavagem da pista e de placas de sinalização, removiam a lama e blocos de terra. A chuva, porém, continuava forte em vários pontos.
Apuração - O Ministério dos Transportes vai investigar se a NovaDutra tem responsabilidade nas quedas de barreiras e no alagamento na estrada. O ministro Eliseu Padilha, afirmou hoje em Brasília, depois de fazer uma vistoria nos trechos mais problemáticos, que a empresa tem 30 dias para concluir as obras de recuperação da estrada. "O governo não aceita que ocorram mais engarrafamentos na Dutra."
Padilha determinou hoje ao Departamento Jurídico do ministério que apure se o edital de licitação e o contrato de concessão prevêem a realização de obras de contenção de encostas. "Vamos apurar se há responsabilidade da concessionária." O governo quer saber se a empresa deveria ter feito obras para evitar os problemas dos últimos dias.
A prefeitura de Resende processa, desde setembro, a NovaDutra, solicitando o replantio de 20 hectares de árvores, que teriam sido derrubados pela empresa. Segundo a prefeitura, são lançadas anualmente 1.745 toneladas de gases poluentes no trecho e a falta de vegetação as torna mais nocivas.
Ferrovias - As chuvas também afetaram a rede ferroviária. A MRS Logística S.A., concessionária da Malha Ferroviária Sudeste, informou que houve problemas no tráfego entre Rio e São Paulo, principalmente no Vale do Paraíba.
De acordo com a empresa, o fluxo foi interrompido em vários trechos, desde a noite de sexta-feira, quando uma locomotiva e um vagão descarrilaram, entre São Bento e Itapeti (SP), em decorrência de uma queda de barreira. A interdição durou quase 22 horas. Outra queda de barreira, entre Vila Queimada e Queluz, no fim da tarde de domingo, bloqueou o trecho por mais de 38 horas.
A MRS informou que a situação é pior na entrada da margem esquerda do Porto de Santos (Conceiçãozinha), onde uma queda de barreira, na noite de domingo, está interditando o tráfego ferroviário. A liberação deve ocorrer somente na quinta-feira. (Colaboratam Uilson Paiva e Gustavo Paul)


